Lojas do Santa Cruz se aproximam de seis meses fechadas em meio à crise financeira
Seis meses de portas fechadas: o impacto da paralisia comercial nas lojas oficiais e e-commerce do Santa Cruz
O Santa Cruz completa, neste mês de junho, seis meses com todas as suas lojas oficiais fechadas. Desde o encerramento do contrato com a fornecedora Volt, em 31 de dezembro do ano passado, as seis unidades da rede Cobra Coral, incluindo a do Estádio do Arruda, permanecem de portas fechadas. A interrupção das operações comerciais trava uma importante fonte de arrecadação justamente em um período em que o clube convive com salários atrasados e busca desesperadamente por novas receitas.
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A interrupção das atividades comerciais ocorre em um momento especialmente delicado para o clube. Historicamente pressionado por dívidas e atualmente em processo de Recuperação Judicial, o Santa Cruz iniciou a temporada precisando reforçar o caixa com urgência. Em clubes de massa, a venda de produtos licenciados e a operação das lojas oficiais costumam representar uma importante fonte de receita recorrente. No caso coral, porém, esse canal de arrecadação foi interrompido, agravando ainda mais o cenário financeiro.
O lançamento dos uniformes e a ausência de canais de venda
O cenário atual expõe um contraste evidente. Embora a Reebok tenha lançado oficialmente os novos uniformes do Santa Cruz em 27 de fevereiro, os torcedores encontram obstáculos para adquirir os produtos. Sem o funcionamento das lojas Cobra Coral, as vendas físicas e online passaram a depender exclusivamente dos canais da fornecedora, que enfrentam dificuldades de distribuição e problemas de abastecimento.
Esse hiato de meio ano sem produtos oficiais nas prateleiras pune o consumidor e alimenta o mercado informal. Sem o acesso facilitado aos pontos oficiais de venda, boa parte da torcida tricolor acaba recorrendo ao comércio ambulante e às réplicas não autorizadas de forma virtual, escoando um dinheiro que deveria ir direto para os cofres do clube.
O que diz o clube: negociações e a postura sobre prazos
Nos bastidores, a diretoria coral corre contra o tempo para resolver o imbróglio da distribuição e viabilizar um novo modelo de gestão para reabrir os pontos físicos e o e-commerce. Entretanto, o processo de transição e reestruturação da rede tem se mostrado mais complexo e demorado do que o previsto inicialmente.
Em contato com a reportagem do DP Esportes, o novo gerente de marketing do Santa Cruz, Fernando Fleury, detalhou o panorama das conversas com o mercado varejista.
"Desde que eu cheguei aqui, nós temos tido várias negociações com fornecedores, com parceiros e especialistas do varejo não só do Recife e de Pernambuco, mas do Brasil todo. O objetivo é restabelecer não só as lojas físicas, mas também o nosso e-commerce", afirmou Fleury.
Apesar da urgência da torcida e da necessidade financeira, a gestão optou por adotar cautela e não estipular uma data para a reabertura da rede de vendas. Segundo o profissional, a prioridade é fechar um acordo que seja vantajoso institucionalmente a longo prazo, evitando promessas vazias.
"A ideia realmente é abrir o mais rápido possível, mas eu não posso dar uma previsão. Primeiro, porque ainda estamos em fase de negociação e de renegociação com os possíveis parceiros, para que o Santa Cruz possa ter o melhor retorno em termos de expansão e também de luvas (bônus de assinatura) para o clube. Temos uma estratégia comercial que garanta que os nossos torcedores sejam atendidos não só no Recife, mas em todo o estado de Pernambuco", justificou.
Fernando Fleury pontuou ainda o desgaste da relação do clube com a torcida em gestões anteriores devido a cronogramas não cumpridos, preferindo blindar o departamento até que os papéis estejam assinados.
"Qualquer prazo que eu dê não seria honesto com o torcedor, principalmente com um torcedor que já está acostumado a receber tantos prazos que não são cumpridos. Então, prefiro não dar prazos e aguardar o momento em que tivermos as assinaturas de contrato. A gente sabe que temos um prejuízo com as lojas fechadas. Porém, um prejuízo maior é um contrato ruim. Uma boa negociação vai superar o prejuízo imediato desse período de portas fechadas", concluiu.
Diante de um cenário de grave restrição financeira e cobrança da torcida, o Santa Cruz escolhe administrar o dilema entre as perdas imediatas provocadas pela interrupção das atividades comerciais e a expectativa de um contrato futuro mais vantajoso.