Presidente do Náutico, Bruno Becker (Rafael Vieira/CNC)
Falta de educação
É curioso que um jogador de futebol passe a vida treinando para exercer uma profissão e, muitas vezes, não conheça as regras básicas da própria atividade. O atleta treina finalização, passe, posicionamento, força, velocidade, estuda adversários e sistemas táticos. Mas quem ensina as regras do jogo? A cena se repete em toda partida: o árbitro apita e imediatamente aparecem braços levantados, protestos e jogadores correndo para reclamar. Algumas, sem sequer entender a decisão. Reclamar virou reflexo. Conhecer a regra, nem sempre. Não se trata de transformar jogador em árbitro. Ele tem todo o direito de discordar de uma marcação. O problema é contestar aquilo que não conhece. Impedimento, mão na bola, jogo brusco, conduta antidesportiva e critérios do VAR exigem atualização. Os clubes deveriam tratar isso como formação profissional. Uma aula periódica com árbitros ou instrutores, analisando lances reais, poderia não apenas diminuir reclamações sem fundamento, mas também ajudar o jogador a entender melhor os limites de sua atuação. Um zagueiro que conhece a regra sabe até onde pode chegar numa disputa. Um atacante que domina o impedimento pode explorar melhor a defesa. Um jogador pendurado entende como administrar uma partida. No futebol, pequenos detalhes decidem jogos. Conhecer as regras deveria ser tão importante quanto conhecer a tática. No fim, o jogador desconhece as regras do jogo. Por pura falta de educação.
Patrimônio perdido
O galpão do Remo do Náutico, na Rua da Aurora, foi vendido por R$ 584,5 mil, valor equivalente a 70% da avaliação judicial de R$ 835 mil. O mais grave, porém, não está apenas no valor da venda, mas no caminho até ela. Segundo a cronologia apresentada pelo Conselho Fiscal na reunião do Deliberativo, na última segunda, o clube teve diversas oportunidades para contestar o processo e proteger o imóvel, mas não reagiu dentro dos prazos. A cronologia apresentada aos conselheiros revela uma sucessão de silêncios.
Omissão nas intimações
Intimado da venda em novembro de 2025, o clube tinha até 17 de dezembro para se manifestar. Novamente informado de que a venda estava em andamento. Nada fez. Só apresentou manifestação em julho de 2026. Em 2024, o Náutico classificou a área como essencial. A Justiça da recuperação judicial também havia reconhecido a essencialidade dos imóveis. Em junho de 2025, porém, a garagem foi indicada para garantir execuções fiscais. O clube foi intimado e, ao responder em julho, não apresentou qualquer contestação.
Última cartada do clube
A perda do imóvel ainda pode ser contestada. O juízo rejeitou a nulidade em 8 de setembro e determinou o prosseguimento da alienação. Agora, os prazos são curtos: 17 de setembro para embargos de declaração e 1º de outubro para agravo de instrumento. O próprio Conselho Fiscal estima em apenas 25% a 35% a possibilidade de reversão definitiva. O problema é que o Náutico chega à última cartada depois de deixar passar várias oportunidades anteriores.