Beto Lago: 'Um breve momento para resgatar o orgulho do torcedor'
O cenário atual é animador, mas deve ser encarado como ponto de reconstrução, não de acomodação
Que vire rotina
Pernambuco vive um momento raro e simbólico nesta Série B. Até o início dos jogos de domingo, o Náutico era o líder e o Sport aparecia logo atrás – posições perdidas após a vitória do São Bernardo. Porém, o cenário ganha contornos mais especiais com a aproximação de mais um Clássico dos Clássicos, sábado, na Ilha.
Há muito tempo o torcedor pernambucano não experimentava uma sensação coletiva tão positiva dentro de uma competição nacional. Por anos, o futebol do Estado viveu desequilíbrios dolorosos. Quando um clube comemorava acesso, o rival atravessava crises, quedas ou temporadas melancólicas. Faltava justamente essa capacidade de caminhar junto, de colocar suas forças históricas novamente em evidência no cenário nacional. Ver os dois clubes brigando na parte de cima devolve autoestima ao torcedor, reacende rivalidades saudáveis e recoloca Pernambuco no debate do futebol brasileiro.
O clássico não será apenas um duelo de rivalidade, mas um encontro entre dois clubes que voltam a enxergar horizontes mais ambiciosos. Mas é preciso cautela. O bom momento não apaga os problemas estruturais acumulados ao longo dos últimos anos. Estamos distante da força que já tivemos em outras décadas, quando nossa presença na elite tinha mais regularidade, se revelava grandes jogadores e com clubes financeiramente mais competitivos.
Não temos estabilidade administrativa, maior capacidade de investimento, modernização e continuidade esportiva. O cenário atual é animador, mas deve ser encarado como ponto de reconstrução, não de acomodação. Pernambuco voltou a respirar na Série B e o desafio é transformar esse entusiasmo em crescimento duradouro para que esse protagonismo não seja um lampejo, mas parte da rotina dos nossos clubes.
O Leão quebrou dois tabus importantes na semana ao vencer Fortaleza e Juventude dentro dos seus domínios — e com autoridade. Mais do que os resultados, chamou atenção a imposição em campo, mostrando evolução coletiva. Metade da sequência pesada foi superada com êxito. Agora, o desafio aumenta: uma decisão na Copa do Nordeste e um clássico contra o Náutico para medir o real tamanho desse momento rubro-negro.
Agora, de olho no clássico
Em novo bom jogo, o Náutico superou a forte defesa do Cuiabá. A “goleada por 1x0” foi construída com competitividade e personalidade, fortalecendo o time para o. Mas, fora dos gramados, as palavras do presidente rival, Cristiano Dresch, foram deselegantes. Por sinal, um clube que não tem estádio pra chamar de seu. Enquanto isso, o Eládio de Barros Carvalho é a casa de todos os alvirrubros. As falas foram para atingir os dirigentes do clube pernambucano, mas mexeram com a tradição de um estádio que transcende concreto e arquibancadas.
Ponto importante, mas com sinal de alerta
O Santa Cruz poderia ter saído de Maringá com mais uma vitória. Saiu na frente, mas voltou a ter dificuldades para sustentar o resultado e ficou no 1x1. O ponto fora de casa tem valor e mantém a invencibilidade de Cristian de Souza. Porém, a partida também deixou claro que o elenco ainda precisa de reforços de qualidade. Sem peças mais decisivas, o time tende a sofrer ao longo da competição.