Boca vence Vasco (3-1) no Maracanã e vai à final da Copa Sul-Americana
Mesmo com a vantagem do empate após vencer em Buenos Aires, o Vasco não conseguiu segurar o Boca Juniors no Maracanã e deu adeus ao sonho de voltar a uma final de competição continental
O Vasco da Gama perdeu para o Boca Juniors por 3 a 1, nesta terça-feira (20), no Maracanã, resultado que classificou o time argentino para a final da Copa Sul-Americana 2026.
A equipe de Buenos Aires conseguiu reverter a desvantagem no confronto das semifinais, após ter perdido por 1 a 0 na semana passada, na Bombonera, e disputará a partida decisiva do torneio no dia 21 de novembro, em Barranquilla, na Colômbia.
Seu adversário será o vencedor do duelo entre Atlético-MG e Montevideo City Torque, que se enfrentam nesta quarta-feira, em Montevidéu, após uma vitória maiúscula do Galo por 3 a 0 em Belo Horizonte.
O argentino Leandro Paredes, campeão mundial em 2022, que entrou em campo após uma recuperação milagrosa de uma lesão, marcou, aos 88 minutos de jogo, o gol que evitou a disputa por pênaltis e assegurou a vaga.
Lautaro Di Lollo, aos 4 minutos, e Miguel Merentiel, aos 34, marcaram para os 'xeneizes', enquanto José Luis Rodríguez diminuiu para os cruzmaltinos, no segundo tempo (66').
Diferentemente da Copa Libertadores, competição na qual os clubes brasileiros conquistaram sete títulos consecutivos, a Sul-Americana tem sido um reduto que resiste ao domínio do Brasil.
O Athletico-PR foi o último brasileiro a se sagrar campeão, em 2021.
Desde então, levantaram o troféu os equatorianos Independiente del Valle (2022) e LDU (2023), e os argentinos Racing (2024) e Lanús (2025).
Donos do Maracanã
Nesta terça, o Vasco jogava em um Maracanã lotado, após vencer uma batalha judicial — que chegou à Suprema Corte do Brasil — pelo direito de usar o estádio.
O Flamengo e o Fluminense, que costumam mandar seus jogos ali, se opunham a que seus rivais recebessem o Boca Juniors no local, em um momento em que as condições do gramado vinham sendo criticadas.
"Síndico não é dono", ironizavam os torcedores vascaínos em um cartaz.
Quem acabou tomando conta do lugar foi o Boca, que saiu na frente logo cedo com um gol de cabeça de Di Lollo, após uma cobrança de escanteio de Lautaro Blanco.
Na sequência, enquanto o time adversário se lançava ao ataque, a equipe argentina aguardava um erro.
E o zagueiro Alan Saldivia falhou ao tentar afastar a bola da área vascaína. Ela sobrou para Sebastián Villa, que fez um lançamento longo, bem aproveitado por Merentiel.
O Vasco partiu em busca de uma reação.
O Boca, incisivo nos contra-ataques, aguardava um erro. E não foi preciso muita paciência.
Um passe terrível de Santiago Sosa deixou Sebastián Villa cara a cara com o gol de Léo Jardim, mas, para sorte dos brasileiros, Alan Saldivia interceptou o chute.
Quase na sequência, o próprio Saldivia falhou ao tentar um corte malfeito.
A bola sobrou novamente para Villa, que fez um lançamento longo aproveitado por Merentiel, com uma finalização precisa diante de Jardim, que recuava desesperadamente, já que havia sido pego adiantado.
Categoria de campeão mundial
O Vasco se soltou após o intervalo e partiu em busca dos gols de que precisava.
Dúvida até o último instante, Leandro Paredes entrou em campo para reforçar a força do Boca no meio-campo.
O meio-campista, campeão com a Argentina na Copa do Mundo do Catar 2022, realizou um tratamento especial com plasma rico em plaquetas para acelerar sua recuperação de uma lesão muscular que o deixou de for a do jogo anterior na Bombonera.
Mas o Vasco diminuiu e, com isso, empatou o placar agregado em 2 a 2.
'El Puma' Rodríguez, após um cruzamento de Cuiabano, finalizou de três dedos para devolver a esperança à sua equipe e torcida. Ele havia entrado vindo do banco aos 56 minutos de jogo.
Mas o sonho dos donos da casa acabou com a finalização de longa distância de Paredes, que contou com uma falha do goleiro Léo Jardim.
O Boca Juniors tentará se tornar o primeiro tricampeão da Sul-Americana, após levantar o troféu em 2004 e 2005.
Galo favorito
O Atlético-MG, vice-campeão de 2025, tem tudo a seu favor para ser o grande adversário do Boca na final.
Os brasileiros fizeram uma excelente partida de ida em Belo Horizonte, e o placar de 3 a 0 a seu favor os deixou às portas do jogo decisivo do torneio.
Mas, para confirmar a vaga na final, precisarão selar a classificação na casa da grande surpresa da competição: o Montevideo City Torque.
O Estádio Centenário, em Montevidéu, palco da final da Copa Libertadores no dia 28 de novembro, receberá o jogo de volta.
A equipe uruguaia, que pertence ao City Group, sabe que reverter a goleada sofrida no primeiro confronto seria quase um milagre, mas ainda ousa sonhar.
"O futebol uruguaio é repleto de grandes feitos (...) então, vamos ver", disse Marcelo Méndez, técnico da equipe uruguaia.
Para o seu adversário, o caminho parece livre.
Eduardo Domínguez encontrou a melhor versão da equipe na reta final da temporada, na qual ausências importantes — como a de Gustavo Scarpa — foram bem supridas graças ao bom desempenho de jogadores como o volante colombiano Kevin Castaño e o atacante Reinier.
Se a lógica prevalecer e o Atlético se classificar para a final contra o Boca, o Brasil manterá a chance de conquistar a 'Sula' após cinco anos de espera.