Como as grandes ligas europeias reorganizaram patrocínios após restrições das bets
Principais ligas europeias já lidam com a proibição ou restrição de patrocínios do setor de bets no futebol há algum tempo
Publicado: 01/10/2026 às 08:41
Real Madrid e Barcelona são os favoritos ao título espanhol (JOSEP LAGO / AFP)
Os clubes brasileiros precisaram se reajustar em relação aos seus patrocinadores do setor das bets. Após a publicação da MP que proibiu as casas de apostas no País, as equipes têm até 5 de outubro para retirar as marcas das empresas de suas camisas e publicidades. A situação não é exclusiva do Brasil. Algumas das grandes ligas europeias passaram por restrições ainda antes do cenário vivido pelo futebol brasileiro.
O caso mais recente é o da Inglaterra. Na Premier League, os clubes concordaram com a retirada dos patrocínios de casas de apostas da parte frontal das camisas a partir da temporada 2026/2027. Com a mudança, as equipes tiveram de reorganizar o espaço mais valioso do uniforme e buscar novas opções no mercado
Antes da mudança, as bets estavam presentes em 11 dos 20 clubes da Premier League. Com a saída dessas empresas, outros segmentos passaram a ocupar o espaço frontal das camisas. Hoje, o setor financeiro é o maior entre os patrocinadores máster do Campeonato Inglês.
Entre os clubes que precisaram substituir uma bet, empresas de turismo, seguros, recrutamento, tecnologia e serviços financeiros ocuparam as vagas.
Em outros casos, como o da Itália e da Espanha, as casas de apostas não podem, por lei, patrocinar clubes. Os dois países adotaram restrições à publicidade e ao patrocínio das bets, o que obrigou as equipes a buscar alternativas no mercado. Na Itália, marcas de alimentos, bebidas e turismo têm forte presença nos uniformes. Já na Espanha, o cenário é mais dividido entre companhias aéreas, bebidas, empresas financeiras e de tecnologia.
Fora as exceções ligadas às apostas, os clubes da Serie A encontraram alternativas em diferentes setores para ocupar o espaço principal das camisas. Marcas de alimentos e bebidas, turismo, serviços financeiros, tecnologia e energia estão entre os segmentos presentes nos principais acordos atuais.
Série A italiana encontra brechas
Na liga italiana, mesmo com a proibição estabelecida por decreto em 2018, alguns clubes encontraram formas de manter empresas ligadas ao mercado de apostas em seus uniformes. Inter de Milão, Roma e Monza possuem atualmente acordos com marcas associadas ao setor, mas apresentadas de outra maneira nos contratos.
A estratégia adotada pelas equipes foi levar para as camisas empresas ligadas aos grupos de apostas, mas voltadas a conteúdo, informação e entretenimento esportivo. A Inter, por exemplo, estampa a Betsson Sport, definida pela própria empresa como uma plataforma de sport infotainment (infotenimento esportivo). A Roma utiliza a Eurobet.live, site que oferece resultados, estatísticas, podcasts e outros conteúdos esportivos, sem exibir diretamente a marca de apostas Eurobet no uniforme.
O Monza seguiu caminho semelhante na temporada 2026/27 ao fechar com a DAZN Bet Club. Embora a empresa tenha ligação com o mercado de apostas, clube e marca apresentam a parceria como uma iniciativa voltada ao entretenimento e à relação com os torcedores.
La Liga: proibição de patrocínio desde 2020
Na Espanha, a proibição de patrocínios de casas de apostas em camisas e uniformes está em vigor desde 2020. Com a restrição, os clubes passaram a buscar empresas de outros segmentos para ocupar o espaço mais valorizado das equipes.
Na temporada 2026/27, o setor financeiro é o mais representado entre os patrocinadores máster das duas principais divisões espanholas, com cinco clubes. Outros segmentos também ocupam espaço nos uniformes, como entretenimento, turismo e telecomunicações.
Entre os principais exemplos da primeira divisão estão o Kutxabank, no Athletic Bilbao, o Baghdadi Capital, na Real Sociedad, e a Emirates, no Real Madrid. O Barcelona mantém o Spotify como patrocinador máster, enquanto o Rayo Vallecano tem a Digi no espaço principal da camisa.
No Brasil, situação ainda não definitiva
Dos 20 clubes da primeira divisão do Campeonato Brasileiro, 14 possuem patrocínios máster de casas de apostas. Flamengo, Palmeiras, São Paulo e Corinthians têm acordos superiores a R$ 100 milhões por ano. Com a publicação da MP, todas essas equipes terão de reorganizar seus principais espaços de patrocínio.
A situação ainda pode mudar porque a medida provisória, embora já esteja em vigor, precisa ser analisada pelo Congresso Nacional. Enquanto isso, os clubes terão de retirar de suas propriedades os materiais publicitários e sinais de patrocínio ligados às bets até 5 de outubro. Cada equipe terá de definir como lidar com os contratos firmados com as empresas.
O Santos foi o primeiro clube brasileiro a suspender o vínculo com uma empresa do setor. A equipe decidiu retirar a Novibet da camisa e de suas ações publicitárias, mas não rescindiu o contrato e mantém a parceria suspensa enquanto aguarda os próximos desdobramentos.