° / °
Esportes DP Mais Esportes Campeonatos Rádios Serviços Portais

Beto Lago: 'Copa do Mundo revelou como o esporte se tornou um gigante econômico e político'

A lógica econômica passou a ter peso semelhante ao esportivo na Copa do Mundo

Por Beto Lago

Gianni Infantino, presidente da Fifa, e Donald Trump, presidente do EUA

Muito além
A conquista da Copa do Mundo pela Espanha ficará marcada como um dos títulos mais convincentes da história recente do futebol. A equipe apresentou um modelo de jogo sólido, de posse de bola, pressão alta, intensidade e talento coletivo. Depois de um início regular, como no empate diante de Cabo Verde, a seleção cresceu e terminou a campanha de forma dominante, culminando com uma atuação de alto nível na final diante da Argentina.

Mas reduzir esta Copa apenas ao futebol seria ignorar outra parte da história. Pela primeira vez, 48 seleções disputaram o torneio, em três países. Foram mais jogos, receitas, patrocinadores e uma audiência global ainda maior. Também foi a Copa que consolidou definitivamente o futebol como um dos maiores negócios do planeta.

A Fifa deve fechar o torneio com receitas superiores a US$ 13 bilhões, praticamente o dobro do ciclo anterior. Direitos de televisão, patrocínios, licenciamento de produtos, hospitalidade e venda de ingressos transformaram a competição em uma máquina de geração de riqueza. O futebol nunca movimentou tanto dinheiro. Esse crescimento, porém, trouxe também um efeito colateral. A lógica econômica passou a ter peso semelhante ao esportivo.

O aumento de seleções ampliou mercados consumidores, abriu espaço para novos parceiros e fortaleceu a presença da Fifa em regiões que antes tinham participação limitada. Sob o ponto de vista financeiro, a decisão foi um sucesso. Sob o aspecto esportivo, ainda há quem questione se um torneio tão longo preserva o nível técnico durante toda a competição.

Poder global
A política ocupou espaço de destaque. Da escolha das sedes às discussões sobre imigração, segurança e relações internacionais, passando pelo cartão vermelho tirado por telefone, a Copa mostrou que o Mundial ultrapassou os limites do esporte. A proximidade entre líderes políticos e a Fifa reforçou que o torneio se tornou uma importante ferramenta de influência econômica, diplomática e de projeção internacional.

Siga o canal do Esportes DP no Whatsapp e receba todas notícias do seu time na palma da mão

Os dois lados da moeda
A Espanha jogou futebol. Com um elenco jovem, técnico e disciplinado, levou o título pela força coletiva. Ao mesmo tempo, a Argentina deixou esta Copa do Mundo mais rejeitada do que admirada. O gesto de dar as costas durante a cerimônia de premiação da Espanha resumiu a imagem construída ao longo da competição. Nem a genialidade de Messi conseguiu apagar os episódios de deslealdade protagonizados pela equipe. E o futuro indica uma seleção menos talentosa e com menor protagonismo sem o seu principal craque.

Rodri, símbolo da eficiência
Rodri ficou com a Bola de Ouro da Copa. O argumento passa pela regularidade técnica e dominância coletiva. Capitão dos títulos da Eurocopa e Mundial, ele teve 747 passes certos, sendo 150 deles no último terço do campo, além de 96,2 km percorridos na Copa. Números incríveis, símbolo da eficiência. Mas, superior ao talento de Messi ou ao faro de gol de Mbappé? Aqui, a Fifa exagerou no troféu. Eu daria para o francês.