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Beto Lago: 'Com direito a massacre na final, Espanha levanta o bicampeonato mundial'

O bicampeonato da Espanha coroa uma geração talentosa, mas, acima de tudo, um projeto

Por Beto Lago

Rodri, da Espanha

Espanha absoluta
A Fúria é bicampeã mundial. E sem qualquer contestação. Foi a seleção que apresentou o melhor futebol da Copa do Mundo, com uma campanha impecável. Depois do empate sem gols na estreia diante de Cabo Verde, cresceu, manteve-se invicta e, na final, deu um baile na Argentina, ao som do flamenco. O título é fruto de um trabalho consistente de Luis de la Fuente.

A Espanha tem uma identidade clara: posse de bola, pressão alta, intensidade e um coletivo que está acima das individualidades. A defesa foi praticamente intransponível. Sofreu apenas um gol –diante da Bélgica – e anulou ataques como os de Portugal, França e Argentina. Yamal é o grande símbolo desta geração, mas o diferencial espanhol está na organização, na movimentação constante e na disciplina tática. É um time que joga como equipe em todos os momentos.

A Argentina jamais conseguiu disputar a decisão em igualdade. Foi completamente dominada. Scaloni fez todas as mudanças possíveis, mas nenhuma funcionou. A seleção sequer acertou uma finalização. O gol de Ferran Torres, no segundo tempo da prorrogação, foi a 20ª finalização espanhola, a 12ª em direção do gol. Nem Messi conseguiu mudar o roteiro. Discreto, sem conseguir desequilibrar, viu a Espanha impor um futebol muito superior.

A diferença entre as duas seleções foi coletiva, técnica e tática. O bicampeonato coroa uma geração talentosa, mas, acima de tudo, um projeto. No futebol, os títulos nem sempre ficam com quem joga melhor. Desta vez, ficaram. E a Espanha fez por merecer cada aplauso.

Futebol sem rumo no Leão
Vencer era obrigação. Nem precisava ser com um grande futebol. Mas o Sport mostrou as mesmas fragilidades que o acompanham nesta Série B e deixou escapar a vitória nos minutos finais. O resultado aumenta a distância para o G6 e reforça a impressão de que o acesso fica mais complicado. São apenas três vitórias em dez jogos na Ilha do Retiro. Muito pouco para um clube que iniciou a competição apontado como favorito ao acesso.

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A conta chega
As críticas recaem sobre jogadores e treinador, mas o maior responsável pela campanha é a diretoria de futebol. Foi ela quem montou o elenco, escolheu os treinadores e conduziu o planejamento. O presidente Matheus Souto Maior precisa olhar com atenção para o departamento. O problema do Sport não é apenas técnico. É de gestão. Enquanto insistir que será este o caminho, o risco de desperdiçar mais uma temporada será cada vez maior.

Sinal de alerta nos Aflitos
No Náutico, a preocupação também cresce. A queda de rendimento e de posições tem relação direta com escolhas equivocadas de Hélio e Guilherme dos Anjos, respaldados pelo presidente Bruno Becker. Com limitações financeiras, dificuldades para contratar e sem margem para erros, o Náutico terá um returno de muito sofrimento. O objetivo imediato precisa ser manter distância da zona de rebaixamento. Porque a história da Série B mostra que entrar no Z-4 é fácil. Difícil é conseguir sair dele.