Coluna Além da Bola: Camisa não joga bola
Copa do Mundo de futebol produz reviravoltas a cada edição
Publicado: 01/07/2026 às 10:26
Torcida da Alemanha (Tobias SCHWARZ / AFP)
Entre os esportes coletivos, o futebol é, sem dúvidas, o único capaz de produzir as famosas “zebras”.
No jogo de bola, nem sempre o favorito ganha, de fato.
Nem sempre o melhor leva o troféu para casa.
No basquete e no vôlei, só para citar alguns exemplos, os timaços vão passar a vida toda jogando com equipes inferiores e a chance de perde é quase zero.
Quando acontece, vira comoção.
Isso foi em 1987 e, até hoje, aquelas cenas épicas são lembradas nas TVs, quando o assunto é superação no esporte.
Copa do Mundo de futebol produz reviravoltas a cada edição.
A cada quatro anos, as famosas “camisas pesadas” sucumbem diante de equipes inferiores ou sem tanta tradição.
Medalhões vão para casa mais cedo e campeões mundiais são obrigados a “chorar as pitangas” de forma precoce.
Em 1966, a Canarinho era bicampeã mundial e tinha Pelé, já a vossa majestade da bola, e Garrincha, em dias bem complicados.
Chegou à Inglaterra dos Beatles, de olho na coroa, e acabou sendo eliminada na fase de grupos.
Tudo bem, o time era uma verdadeira zona, a preparação foi tumultuada e Pelé levou mais pancada do que bife de dianteiro.
Mas era um grande candidato que perdeu cedo e teve que lavar a roupa suja para se revigorar em 1970, com o tri, no México.
Há outros exemplos mais recentes. Em 2002, a então campeã, a França, foi para a Ásia com Zidane e outros craques e naufragou.
Na Copa do Brasil, em 2024, numa lapada só ficaram de fora na primeira fase a Inglaterra, a Itália e a Espanha, que vinha do campeonato na África do Sul, quatro anos antes.
Naquela ocasião,. Costa Rica (vejam só) foi engatinhando e terminou correndo até uma derrota nos pênaltis para a Holanda, em fase já avançada.
Nesta Copa de 2026, o “bagulho tá cada vez mais louco”, como diriam os mais jovens.
A fase a mais, por causa do recorde de seleções participantes, foi um prato cheio para as “zebras” começarem a circular com desenvoltura pelos EUA, Canadá e México.
Coitado de quem fez bolão com antecedência.
O primeiro vexame veio do combalido Uruguai, bicampeão no passado, e um mar de brigas e lamentações no presente.
El Loco Bielsa pode até ter boas teorias, mas como técnico é um fiasco. Deu ruim para os bravos da Celeste Olímpica, que ainda vai ter reconstruir as bases para voltar a competir, em breve.
Os nossos vizinhos ainda tiveram que engolir o “esquadrão” de Cabo Verde passando na frente para pegar a Argentina, na segunda fase.
Uma antiga anedota do futebol lembra que o esporte foi criado na Inglaterra, mas os alemães sempre ganhavam.
Isso ficou no passado. Depois de ganhar em 2014, no Maracanã, e dos 7x 1 aplicados no “catadão do Felipão”, os germânicos nunca mais se endireitaram. Parece praga.
São eliminações recorrentes em fases iniciais de Copa desde 2018. Agora, o time perdeu nos pênaltis para o Paraguai, que joga um “futebol paraguaio”, com todos os trocadilhos possíveis.
A Alemanha teve a capacidade de perde para uma equipe que teve apenas 10% de posse de bola e um determinado momento do jogo. Que fiasco.
Esse também é o sentimento dos holandeses, os eternos terceiros colocados em três mundiais.
Marrocos é uma bela equipe e está longe de ser “azarão”, mas para os europeus, que foram para a Copa com o sentimento de “agora vai”, o sonho da “laranja Mecânica” virou suco.
E a Copa está só enfrenando. Tem muito jogo que pode provocar surpresas e mandar de volta gente graúda, né não Portugal, Inglaterra e Bélgica?
Para quem chegou ao Mundial como um motorista que troca a roda do caminhão descendo uma ladeira, o Brasil pode dizer que escapou até agora.
Mas fica o aviso: sapato alto e soberba não combinam com a bola e tradição é bom para monarquia.
Pelo andar dessa carruagem, que não suar até os 55 minutos (você não leu errado) do segundo vai pegar o avião de volta antes do esperado 19 de julho.