Coluna Além da Bola: De fraque, com carinho e respeito
É fato: Tirando Pelé, Messi é um marco da bola. Não só de copas, mas da história do esporte mais popular do planeta
Em uma de suas crônicas icônicas, o dramaturgo e jornalista pernambucano Nélson Rodrigues cravou uma sentença sobre vossa majestade do futebol, o senhor Édson Arantes do Nascimento, ou, simplesmente, Pelé.
“Nao me venham falar em Di Stefano, em Puskas, em Sivori, em Suárez. Eis a singela e casta verdade: não chegam aos pés de Pelé. Quando muito, podem engraxar-lhe os sapatos, escovar-lhe o manto.”
Nelson disse e está dito. Em primeiro lugar vem Pelé. Depois, alguns gênios da bola e outra porção de grandes craques.
Esse tema, discutido e rediscutido em mesa de bar, portão de cemitério e barraca de quermesse, voltou à tona, em meio ao andamento da Copa das Copas 2026.
É que Ronaldo, o Fenômeno, bicampeão pela “Canarinho” em 94 e em 2002, quando ressurgiu das cinzas e virou artilheiro da competição, declarou que Lionel Messi seria o melhor de todos os tempos.
Uma boa frase para cortes de canais de Youtube e para encorpar a “guerra” nas resenhas esportivas da TV, sem dúvidas.
É fato: Tirando Pelé, Messi é um marco da bola. Não só de copas, mas da história do esporte mais popular do planeta.
O argentino chegou para a sexta disputa em Mundiais, em 2026, aos 38 (quase 39 anos de idade). Passou os últimos meses jogando nos estados Unidos (EUA), numa espécie de “retiro”.
Conseguiu se poupar da desgastante temporada europeia e surgiu tinindo, já no amistoso pré-Copa.
Quem viu na TV os passes e “enfiadas” de bola, sentiu inveja. “Bem que poderia ser brasileiro”, pensaram muitos torcedores, inclusive eu.
O cara é mesmo o cara. É o único jogador a carregar seis emblemas especiais em seu uniforme durante o torneio:
Campeão do Mundo: Usado apenas por seleções campeãs da edição anterior.
Legado: Usado por atletas que disputam sua quinta participação em Mundiais.
Bola de Ouro: Referente à conquista da premiação em 2014 e 2022.
2026: Refere-se à edição da Copa do Mundo que Messi participa.
Emblema de Chamado pela Paz: Usado por atletas que participaram de eventos de paz.
Prêmio de Melhor Jogador: Usado por Messi e Cristiano Ronaldo, conquistado em 2014 e 2022.
É tanta honraria que a camisa alvi-celeste ficou parecendo um abadá de bloco de carnaval.
Brincadeiras à parte, falar de Messi é enaltecer o craque, o diferenciado, o decisivo, o escolhido.
E essa Copa, ainda engatinhando, tem permitido aos nobres mortais e amantes do futebol bem jogado conferir o desfile de jogadores que vieram ao mundo para emocionar.
Nesse quesito emoção, a primeira rodada guardou algumas cenas bem especiais envolvendo os diferenciados.
Em França X Senegal, Mbappé acertou um daqueles chutes para passar no Canal 100 (antigo programa sobre futebol exibido nos cinemas).
Olise, um dos mais enjoados garotos do time francês, desfilou pelo gramado.
Harry Kane, menos badalado do que Neymar Jr e Memphis Depay, só para citar dois conhecidos do público brasileiro, encheu de esperança os ingleses, que não sabem o que um título desde a época em que os Beatles ainda estavam encantando o planeta.
Menos refinado, O “tanque de guerra” Haaland mostrou como é possível ser um grande jogador de arrancadas e gols. Parece até fácil.
E, para não dizer que não falei de flores, é preciso lembrar o único lance decente protagonizado pelo Brasil, na estreia contra Marrocos.
Obrigado, Vini Jr, por ter feito um golaço, ter salvo a pele de Ancelotti e evitado a renovação do estoque de antidepressivo.
Pelo andar da carruagem, se os juízes mantiverem os carniceiros sob controle e aplicarem as regras como elas devem se aplicadas, a Copa tem tudo para ser o mundial dos grandes craques. Uns chegando e outros se despedindo, mas uma festa de quem joga de fraque e trata a bola com carinho e respeito.