Copa 2026: Respeito e adoração por Messi na Argentina após recorde de gols alcançado
Autor dos dois gols na vitória da Argentina por 2 a 0 sobre a Áustria, Messi se tornou o maior artilheiro da história das Copas, com 18 gols
Em Buenos Aires, as ruas estavam vazias enquanto os bares fervilhavam de torcedores vestindo camisas 'albicelestes'. Foi assim que os argentinos comemoraram a vitória desta segunda-feira (22) sobre a Áustria em uma data especial: quatro décadas após a 'Mano de Dios' ('Mão de Deus') de Diego Maradona, Lionel Messi se tornou o maior artilheiro da história das Copas do Mundo.
Sob um sol de inverno, centenas de torcedores se reuniram nas 'fan zones' da capital argentina para assistir à partida, cercados por bandeiras, bonés e camisas da seleção.
Autor dos dois gols na vitória da Argentina por 2 a 0 sobre a Áustria, Messi se tornou o maior artilheiro da história das Copas, com 18 gols, superando o alemão Miroslav Klose, que havia estabelecido o recorde de 16 gols no torneio de 2014, no Brasil.
Nas 'fan zones', um suspiro coletivo de alívio tomou conta do ambiente quando Messi selou a vitória com o segundo gol, nos acréscimos (90'+5).
"A verdade é que Messi é imparável. Aí está ele. O 'velhinho' que estava prestes a se aposentar? Aí está ele para todos vocês", disse Juan Beva, de 25 anos, em uma das fan zones.
Enquanto o capitão argentino somava esse novo recorde à sua trajetória com a camisa 'albiceleste', os torcedores também recordavam o aniversário do famoso gol da 'Mão de Deus', marcado por Maradona contra a Inglaterra na Copa do Mundo de 1986, no México.
Para Fernando Rollan, de 38 anos, "Maradona veio de baixo. É um homem do povo e trouxe grande alegria àqueles que não podem se dar ao luxo de certos confortos. Messi, por outro lado, representa uma geração diferente", fazendo uma comparação. "Eu o amo. Vivi esta época".
Respeito
Embora a memória de Maradona ainda ocupe um lugar central no imaginário do futebol argentino, a adoração por Messi — que fará 39 anos em dois dias — tem uma dimensão própria.
"Eu me emociono", disse Brian Duarte, de 27 anos, à AFP com os olhos marejados, em uma praça no centro de Buenos Aires. "Me emociono muito porque, honestamente, temos o privilégio de desfrutar do futebol de Messi até hoje".
Seu nome e seu rosto aparecem em murais, camisas, tatuagens, vitrines de bares e portas de lojas. Em Buenos Aires, sua imagem já estampou marcos icônicos como o Obelisco, e uma estátua de 26 metros em sua homenagem foi inaugurada recentemente na província patagônica de Neuquén.
Essa devoção ficou evidente na última sexta-feira, quando uma notícia falsa anunciou a morte de Jorge Messi, pai do jogador, provocando indignação pública.
A família informou depois que Jorge Messi enfrenta um problema de saúde e está sob acompanhamento médico.
O incidente evidenciou algo incomum na Argentina: durante meses, a doença do pai do capitão da seleção era conhecida nos meios esportivos e jornalísticos, mas os principais veículos de comunicação não publicaram nada a respeito.
"Todos nós sabíamos, mas ninguém dizia nada. Você acabaria desestabilizando o cara. Isso não ajuda", comentou Yanina Latorre, comentarista e apresentadora de TV, depois que a história veio à tona na esteira da notícia falsa.
Um sentimento semelhante prevaleceu entre os torcedores entrevistados pela AFP.
"Estamos bem no meio da Copa do Mundo, e eles não queriam magoar o Messi. Trataram o assunto com cautela. É preciso tentar proteger o Messi neste momento", disse Oscar Aguilera, de 59 anos, ao deixar a praça.