Beto Lago: 'Copa do Mundo começa hoje e Brasil está na segunda prateleira dos favoritos'
Em uma Copa do Mundo, especialmente em um formato com mais jogos eliminatórios e maior imprevisibilidade
A maior Copa
Começa hoje a Copa do Mundo. E com uma ruptura histórica. Pela primeira vez, 48 seleções disputarão o título em uma competição espalhada por três países — Estados Unidos, Canadá e México —, com 104 partidas e uma logística jamais vista no esporte. A ampliação do torneio cria um cenário novo. Mais países terão a oportunidade de sonhar, mais continentes estarão representados e o caminho até a final será mais longo e desgastante. Não bastará ter talento.
Será necessário ter elenco, capacidade física, adaptação a diferentes climas, fusos horários e deslocamentos continentais, como nenhuma outra. E vem a pergunta: quem chega como favorito ao título? Hoje, parece haver uma primeira prateleira bastante clara. Espanha, Argentina e França despontam como as seleções mais completas do planeta.
Os espanhóis vivem uma renovação técnica impressionante, combinando juventude, posse de bola e intensidade. Os argentinos carregam a confiança de quem conquistou o último Mundial e manteve uma estrutura competitiva sólida. Já os franceses seguem produzindo talentos em escala industrial e possuem, talvez, o elenco mais robusto do futebol mundial.
Logo atrás aparece o Brasil. Não é exagero colocar a Seleção Brasileira entre os principais candidatos ao hexa. Mas seria precipitado colocá-la no mesmo patamar dos três gigantes do momento. O Brasil ocupa uma segunda prateleira de favoritos, ao lado de seleções como Inglaterra, Portugal, Alemanha e até Holanda. Isso não significa menor capacidade de conquista.
Em uma Copa do Mundo, especialmente em um formato com mais jogos eliminatórios e maior imprevisibilidade, a distância entre as prateleiras pode desaparecer em poucos minutos. Significa apenas reconhecer que a Seleção ainda busca algumas respostas.
A chegada de Carlo Ancelotti trouxe organização, credibilidade e uma leitura mais pragmática do jogo. O treinador tem nas mãos uma geração com alguns talentos, com qualidade individual para enfrentar qualquer adversário. O desafio está em transformar esse potencial em uma equipe que consiga manter regularidade nas oito partidas até a final em altíssimo nível.
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Ancelotti contra um tabu da Copa
Ancelotti será o primeiro estrangeiro no comando da Canarinha em uma Copa e pode quebrar uma tradição: todas as seleções campeãs foram comandadas por treinadores nascidos no próprio país. De Vittorio Pozzo, em 1930, a Lionel Scaloni, em 2022, ninguém que levantou a taça à beira do campo era estrangeiro. Será que consegue quebrar esse tabu?
Mais um tropeço do Leão em casa
O Sport também decepcionou seu torcedor, empatando na Ilha do Retiro com o Athletic. Primeiro tempo sofrível, sem intensidade. Segunda etapa de um gás no início, fez o gol com Pussi, mas sofreu o empate, com uma falha de reposição de Zé Marcos – como ainda é titular? Leão perde a liderança e tem jogo difícil, domingo, fora de casa, contra o São Bernardo.