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Da TV aberta ao streaming: entenda o delay das transmissões na Copa do Mundo

Diferenças tecnológicas entre plataformas fazem torcedores assistirem ao mesmo lance em momentos distintos

Por Gabriel Farias

Trionda: a bola da Copa do Mundo de 2026.

Em plena Copa do Mundo, o grito de gol pode sair próximo a você antes mesmo de a bola balançar as redes na televisão de sua casa. O fenômeno, que atravessou diferentes tecnologias, continua presente em 2026 e tem explicação: o chamado delay das transmissões.

Com a multiplicação das formas de assistir aos jogos, seja por TV aberta, TV por assinatura, streaming ou plataformas digitais, as diferenças de tempo entre uma transmissão e outra ficaram ainda mais evidentes. Dependendo do serviço utilizado, um lance pode chegar ao espectador até um minuto depois de acontecer no estádio.

Embora a indústria de mídia esportiva tenha investido em novas tecnologias para reduzir esse intervalo, o atraso continua sendo uma característica inevitável das transmissões modernas. E justamente durante a Copa do Mundo, evento que mobiliza milhões de torcedores simultaneamente, a diferença fica ainda mais perceptível.

O que é o delay?

O delay é o intervalo entre o momento em que uma jogada acontece em campo e o instante em que ela aparece na tela do torcedor.

Antes de chegar ao público, as imagens percorrem um longo caminho. Primeiro, dezenas de câmeras registram a partida. Em seguida, o material é enviado para centrais de produção, onde ocorre a seleção das imagens, inserção de gráficos, replays e narração. Depois disso, o sinal precisa ser codificado, comprimido e distribuído para diferentes plataformas.

Cada etapa acrescenta alguns segundos ao processo. Especialistas costumam resumir esse percurso em três fases principais: codificação, propagação do sinal e decodificação. Quanto mais etapas intermediárias existirem, maior tende a ser o atraso.

A redução do delay tornou-se uma das principais prioridades das empresas de tecnologia e das detentoras de direitos esportivos.

Nos últimos anos, plataformas de streaming passaram a investir em sistemas de baixa latência justamente para aproximar a experiência digital daquela oferecida pela televisão tradicional.

TV aberta segue sendo a mais rápida

De acordo com estimativas do setor de transmissão esportiva, a TV aberta continua sendo a plataforma com menor atraso.

O gráfico comparativo das transmissões da Copa do Mundo aponta que o delay na televisão aberta varia entre 2,5 e 8 segundos. Isso ocorre porque o sinal segue um caminho relativamente direto entre a emissora e o aparelho do telespectador.

Mesmo com os avanços tecnológicos dos serviços digitais, a simplicidade do modelo de transmissão terrestre ainda garante vantagem quando o assunto é velocidade.

TV por assinatura apresenta pequenas diferenças

Entre os serviços pagos, o cabo e o IPTV costumam registrar atrasos entre 5 e 9 segundos.

Já as transmissões via satélite apresentam um intervalo um pouco maior, variando entre 7 e 10 segundos. Nesse caso, o sinal precisa percorrer distâncias muito maiores até os satélites em órbita e retornar aos receptores instalados nas residências.

Apesar disso, a diferença para a TV aberta geralmente passa despercebida durante a maior parte do jogo.

Streaming é o grande desafio

É no streaming que os atrasos se tornam mais evidentes. Diferentemente da televisão tradicional, as plataformas digitais precisam converter o vídeo em pacotes de dados, enviá-los pela internet, armazená-los temporariamente em servidores e reproduzi-los utilizando buffers - pequenas reservas de conteúdo que evitam travamentos e quedas na transmissão.

Os serviços de baixa latência, tecnologia que vem sendo adotada por diversas plataformas esportivas, conseguem operar entre 6 e 15 segundos de delay.

Já os modelos tradicionais de streaming apresentam diferenças mais significativas. Em transmissões convencionais, como as realizadas por plataformas digitais e canais online, o atraso costuma variar entre 15 e 25 segundos.

Canais via internet lideram ranking de atraso

Entre todas as modalidades analisadas, os canais gratuitos distribuídos via internet e televisões conectadas apresentam os maiores intervalos.

Nesses casos, o delay pode variar entre 30 segundos e um minuto. Isso significa que um gol pode ser comemorado em um estádio, repercutido nas redes sociais e até celebrado pelo vizinho antes mesmo de aparecer na tela de quem acompanha a partida por esse modelo.

Por isso, durante a Copa do Mundo de 2026, o velho costume de ouvir um grito de gol vindo da rua alguns segundos antes da imagem aparecer na tela ainda deverá fazer parte da experiência de milhões de torcedores.