Guia da Copa 2026: Como chega a Espanha, campeã europeia e comandada por Lamine Yamal
Em busca do bicampeonato, a Fúria é apontada como uma das grandes favoritas ao título da Copa do Mundo
Apontada como uma das grandes favoritas e ostentando o título da Eurocopa de 2024 no ciclo, a Espanha chega para a Copa do Mundo de 2026 em busca do bicampeonato mundial. A Fúria é comandada pela joia rara do futebol mundial, Lamine Yamal, e traz a consistência do trabalho do técnico Luis de la Fuente como um dos seus grandes trunfos para retornar ao topo do mundo.
Após o inédito título em 2010, aliás, os espanhóis vêm amargando campanhas frustrantes na principal competição de futebol do planeta. Em 2014, no Brasil, a equipe caiu na fase de grupos. Na Rússia, em 2018, a Fúria foi eliminada nas oitavas de final, sendo superada pela própria seleção anfitriã. No Mundial mais recente, no Catar em 2022, a Espanha também caiu precocemente nas oitavas de final, dessa vez para o Marrocos.
Agora, os espanhóis chegam com outro status para o início da competição. A seleção vai à América do Norte unindo uma das seleções mais talentosas de sua história e uma grande força de jogo coletivo, refletida em desempenho em campo. Além da Euro, o time espanhol também conquistou a UEFA Nations League da temporada 2022/23.
Para contar com um dos melhores materiais humanos do Mundial, o técnico espanhol aposta em uma lista de convocados com a ausência total de jogadores do Real Madrid, algo inédito na história da seleção em Copas.
Ainda que conte com destaques importantes do Barcelona, a “La Roja” traz um elenco com jogadores que atuam em diferentes clubes do futebol europeu. Fugindo de uma predominância histórica de jogadores dos dois gigantes espanhóis (Real Madrid e Barcelona), a seleção traz em sua convocação para 2026 atletas importantes do futebol inglês e francês.
Apesar da mudança nos clubes em que peças importantes atuam, o perfil de elenco segue à risca a tradição espanhola. Em mais um Mundial, a Fúria ostenta grande talento no seu meio de campo, com alta capacidade de posse de bola e jogo propositivo. Em compensação, a referência ofensiva segue não fazendo parte do plantel de jogadores, fazendo a seleção apostar na função do falso nove em detrimento de um centroavante mais fixo.
O craque: Lamine Yamal
O sonho do título espanhol passa diretamente pelos pés do atacante Lamine Yamal. Com apenas 18 anos, o jogador do Barcelona já é a referência técnica da equipe, sendo o grande responsável pelo desenvolvimento do jogo ofensivo.
A joia de La Masia parece não ter sentido o peso da camisa da Espanha desde os seus primeiros jogos. Ainda como menor de idade, Yamal fez uma Eurocopa de alto nível em 2024, na Alemanha, sendo protagonista da conquista do título e participando diretamente de cinco gols na campanha. Com o belo gol anotado na semifinal contra a França, inclusive, o atacante se tornou o jogador mais jovem a marcar na história da Euro, com apenas 16 anos e 362 dias.
Adquirindo uma maior maturidade como jogador do Barcelona, Lamine Yamal segue em sua ascensão meteórica na carreira. O camisa 10 do clube catalão chega aos Estados Unidos, Canadá e México como bicampeão do Campeonato Espanhol, tendo marcado 16 gols e distribuído 11 assistências na atual temporada de La Liga.
Atuando preferencialmente pelo lado direito de ataque, onde potencializa a sua capacidade de definir jogadas com a perna esquerda, Lamine Yamal é peça desequilibrante de um esquema de três meio-campistas de bom passe. O jogador, aliás, forma uma dupla de habilidade e juventude com o ponta esquerdo Nico Williams, do Athletic Bilbao.
O nível de performance de Lamine Yamal na Copa, porém, pode ser colocado em dúvida devido a uma questão física. Nas vésperas da competição, o atacante sofreu uma lesão muscular na coxa esquerda, no dia 22 de abril. Desde então, o ponta não entrou mais em campo pelo Barcelona e vem trabalhando intensamente para estar disponível na Copa já na estreia da Fúria.
O comandante: Luis de la Fuente
Além de uma geração talentosa, a Espanha se credencia como um dos melhores times da Copa também pelo trabalho realizado pelo técnico Luis de la Fuente. Nome pouco badalado no mercado de treinadores, de la Fuente comandou a Seleção Espanhola nas categorias sub-19, sub-21 e olímpica antes de chegar à principal.
O comandante teve a árdua missão de substituir o técnico multicampeão Luis Enrique, que deixou a seleção após a frustrante campanha na Copa do Mundo de 2022. Desde então, Luis de la Fuente deu uma forte identidade ao time e potencializou as jovens estrelas espanholas, resultando em títulos e consistência.
Pela experiência nas seleções de base, o comandante traz o DNA do estilo de jogo espanhol em seu trabalho, montando uma equipe de muita capacidade ofensiva através da construção com a posse de bola. Com de la Fuente, a Espanha tenta repetir o feito protagonizado pela seleção da Argentina em 2022, que chegou ao título mundial comandada pelo jovem técnico Lionel Scaloni.
Em entrevista recente à FIFA, o técnico espanhol detalhou a sua relação próxima com boa parte do elenco, sobretudo pelos trabalhos juntos nas categorias de base. Ainda à entidade, Luis de la Fuente também destacou a margem de evolução da atual geração espanhola.
“Minha relação com esses jogadores, com cerca de 90% do elenco atual da seleção, vem de muitos anos. Com alguns deles, de 10 ou 12 anos. Vivi toda essa evolução, crescemos juntos… Isso vai muito além da relação entre treinador e jogador. Há algo muito mais intenso. E acredito que essa é uma das nossas maiores forças: o conhecimento mútuo que temos nos dá tranquilidade para exigir o máximo de nós mesmos. Dá muita tranquilidade”, disse o técnico.
“A margem de melhora ainda é muito grande. Temos uma geração de jogadores muito brilhante e com muito talento, mas também muito jovem. E a combinação entre juventude e experiência faz com que o grupo esteja fortalecido e tenha uma identidade bem definida. Será uma oportunidade, em um torneio tão importante e com seleções tão fortes, para confirmar tudo o que já mostramos até agora. Mas agora o nível de exigência será ainda maior”, concluiu o comandante na ocasião.
A peça da engrenagem: Rodri
Chegando aos Estados Unidos, Canadá e México com a honraria de ser um dos poucos coroados com a Bola de Ouro no torneio, Rodri é peça central na engrenagem da Seleção Espanhola. Com o volante saudável e em seu auge no Manchester City, a Fúria elevou o seu nível de performance no meio de campo para conquistar a Eurocopa de 2024.
Possuindo um futebol menos vistoso que outros craques da Copa de 2026, Rodri se destaca pelo seu nível de consistência e capacidade de melhorar os times em que atua.
Pelo Manchester City de Pep Guardiola, por exemplo, o meio-campista bateu o recorde da história do futebol de clubes de jogos sem derrota. Quando esteve em campo, Rodri chegou à impressionante marca de 74 partidas de invencibilidade pelo clube inglês, feito que durou mais de um ano e três meses.
Para tentar retomar esse nível de importância para o coletivo, Rodri contará com as companhias de outros grandes jogadores no meio-campo. No provável esquema espanhol, o primeiro volante deverá atuar ao lado de Pedri, bicampeão espanhol pelo Barcelona, e Fabián Ruiz, bicampeão europeu pelo PSG, além das opções de Gavi, Merino e Zubimendi para o setor.
Provável escalação da Espanha para a Copa do Mundo:
Unai Simón; Marcos Llorente, Laporte, Cubarsí e Cucurella; Rodri, Pedri e Fabián Ruiz; Nico Williams, Oyarzabal e Lamine Yamal. Técnico: Luis de la Fuente.
Tabela da Espanha no Mundial
Pertencente ao Grupo H, a Espanha terá em seu caminho na fase inicial as seleções de Cabo Verde, Uruguai e Arábia Saudita. Os espanhóis estreiam na competição no dia 15 de junho, em Atlanta, contra Cabo Verde.
Na sequência, a Fúria encara a Arábia Saudita, no dia 21 de junho, também em Atlanta. Para fechar a fase de grupos, a Espanha terá um duelo de campeãs mundiais contra o Uruguai, no dia 26, em Guadalajara, no México.