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COPA DO MUNDO

O herói improvável

Herói da classificação no sufoco, atacante reforça a mística de coadjuvantes que decidem jogos difíceis e salvam a pátria na Copa do Mundo

Ricardo Novelino

Publicado: 30/06/2026 às 12:59

Gabriel Martinelli saiu do banco para virar o herói do Brasil contra o Japão. /Foto: Rafael Ribeiro/CBF

Gabriel Martinelli saiu do banco para virar o herói do Brasil contra o Japão. (Foto: Rafael Ribeiro/CBF)

Copa do Mundo é emoção. Na vitória ou na derrota, é um jogo para quem aguenta ou está com o remédio em dia.

No futebol que mexe com multidões, nem sempre, os louros do êxito vão para o craque, para o dono da bola.

Na vitória do Brasil sobre o Japão, o triunfo de 2 a 1 parecia um filme. Teve drama no início, suspense durante grande parte da peleja, e um herói no fim.

Não um herói qualquer. Tivemos um herói improvável, no momento derradeiro, num toque salvador.

Gabriel Martinelli fez aniversário de 25 anos no meio do Mundial. É reserva natural do atual dono da Seleção, Vini Jr, e vem de uma temporada na Inglaterra, ficando no banco na maior parte do tempo no campeão da Premier League, o Arsenal.

A partida contra os japoneses, que não são mais iguais como antigamente, em se tratando de futebol, ele entrou no segundo tempo no lugar de Matheus Cunha, o falso 9 de Carlo Ancelotti.

Venhamos e convenhamos, talvez, o time pedisse, naquele momento, de empate por 1 a 1, um reforço no meio-campo.

Aí, Carletto saiu com essa cartada. Martinelli ocupou o espaço no meio, dez minutos depois de o Brasil fazer o primeiro gol, com a cabeçada de Casemiro.

Martinelli é um lutador. Corre muito. Mas está longe de ser o favorito da torcida e de ser lembrado na lista de possíveis salvadores da pátria.

Pois bem. O menino tirou a Canarinho do sufoco, quando tudo levava a crer que teríamos uma prorrogação.

Já se perguntava se os atletas mais “experientes” teriam fôlego para aguentar, por mais 30 minutos, o “enxame” provocado pela correria dos nipônicos.

Herói por acaso, Martinelli deu um toque “chorado”, de pé direito, que bateu na trave e morreu de mansinho.

Nome de anjo, Gabriel fez o que poucos já colocavam na conta de um milagre: o gol do desabafo.

Numa seleção que não tem fenômenos nem extraterrestres, Martinelli lembrou outros heróis improváveis da bola. Jogadores que apareceram para salvar o dia.

Difícil não se lembrar de Mineiro, carregador de piano do São Paulo, na final do Mundial Interclubes contra o Liverpool.

Numa jornada irreparável de Rogério Ceni, que fechou o gol contra os ingleses, coube a Mineiro dar o toque da consagração, o toque do título de 2005.

Difícil também não se lembrar de Adriano Gabiru, que saiu do banco para levar o Internacional de Porto Alegre a uma vitória inacreditável sobre o Barcelona de Ronaldinho Gaúcho e Samuel Eto’o, em 2006, também pelo Mundial de Clubes.

Também vale falar de Juliano Belletti, lateral reserva do Barcelona, que tinha uma constelação em campo, na final da Champions League de 2006. Aquele chute cruzado sacramentou o título do time catalão.

O Brasil passou pela primeira das “cinco finais”. Como diria o velho Lobo Zagallo, agora faltam quatro, até a possível decisão.

Depois do sufoco e da emoção da vitória carregada de estilo e solavancos, o time precisa colocar a cabeça no lugar.

É preciso pensar e repensar na formação do meio-campo, na dificuldade de armar as jogadas. E, com certeza, deixar Vini sem a eterna obrigação de “se virar” o tempo todo.

Martinelli foi o nosso herói improvável, mas nem sempre dá para contar com um personagem como esse.

A Copa do Mundo 2026, de fato, começou.

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