O que a reeleição de Lula representa para a agenda econômica de Pernambuco
Continuidade do projeto político possibilita a manutenção de investimentos do Novo PAC no estado e fortalece agenda trabalhista
Publicado: 27/10/2026 às 13:56
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fará o seu quarto mandato a partir de 1° de janeiro de 2027 (Rafael Vieira/DP Foto)
A confirmação da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estabelece o direcionamento para o cenário econômico de Pernambuco nos próximos quatro anos. A expectativa é de que o resultado das urnas mantenha o cronograma de investimentos federais no estado, assegurando que as obras do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) continuem com orçamento previsto, sem alterações em contratos vigentes.
O principal símbolo do programa de investimentos é a Refinaria Abreu e Lima (Rnest), em Ipojuca, cujo plano de expansão prevê entre R$ 12 bilhões e R$ 13,5 bilhões da Petrobras para a conclusão do Trem 2 até 2029.
A economista, conselheira do Conselho Regional de Economia da 3ª região (Corecon-PE) e professora da UFRPE, Poema Isis de Souza avalia que a permanência da atual diretriz econômica da Federação mantém o papel de Pernambuco como indutor do desenvolvimento regional.
"Do ponto de vista econômico, ter a reeleição de um presidente que vem reforçando a promoção de desenvolvimento no estado é muito positivo, pois tem efeitos que são multiplicadores de produção e de empregos. Para a Refinaria Abreu e Lima, isso significa a ampliação de produção de gás, de óleo diesel e de fertilizantes", pontua.
O andamento da agenda federal indica que projetos logísticos como a Ferrovia Transnordestina e a duplicação da BR-423 continuarão recebendo orçamento orçamentário. De acordo com estudo da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) o trecho da ferrovia em Salgueiro e Suape pode gerar benefícios econômicos e sociais estimados em R$ 4,76 bilhões apenas no estado.
“Embora o governo federal esteja com um desafio de equilíbrio das contas, as perspectivas para Pernambuco são favoráveis. Com isso, é necessário fazer um ajuste entre a perspectiva de receita, quando a economia cresce acima do esperado, o governo arrecada mais. Isso de certa forma dá uma folga para que ele consiga também gastar um pouco melhor, mas, ao mesmo tempo, os gastos públicos federais e estaduais precisam ser revistos, é preciso entender a composição desses gastos”, frisa Poema.
Essa manutenção de diretrizes e o investimento público em infraestrutura de base também se relacionam com a atração de capital privado. Um reflexo disso no Porto de Suape foi a conclusão da dragagem de aprofundamento do canal interno. A intervenção recebeu investimentos de R$ 247 milhões, sendo R$ 100 milhões do Ministério de Portos e Aeroportos, por meio do Novo PAC, e R$ 147 milhões de recursos próprios de Suape. Ao longo da dragagem, foram retirados aproximadamente 4,18 milhões de metros cúbicos de sedimentos.
O diretor-presidente de Suape, Armando Monteiro Bisneto, destaca que a dragagem do canal interno do porto favorece o crescimento das operações no complexo. “Estamos transformando investimento em infraestrutura em capacidade efetiva de operação. A nova profundidade do canal interno permite que os navios operem em melhores condições de carga, aumenta a segurança e a eficiência e fortalece nossa capacidade de atrair novas linhas marítimas”, explica.
Cenário trabalhista
Pelo lado social, o resultado eleitoral é associado à manutenção da agenda voltada ao mercado de trabalho. De acordo com o presidente da Central Única dos Trabalhadores em Pernambuco (CUT-PE), Paulo Rocha, o governo Lula 4 endossa a redução da escala de trabalho de 44 para 40 horas semanais, com o fim da escala 6x1.
“Nós tivemos uma conquista fundamental há poucos dias, agora entre o primeiro e o segundo turno, que foi a redução da jornada de trabalho sem redução salarial. Isso é um dos exemplos do que trouxe a conquista recente e que estava ameaçada. Então, a eleição de Lula significa dizer que dá fôlego às lutadoras e lutadores sociais, para que a gente possa avançar nas conquistas de direitos”, afirma.
O presidente da CUT-PE avalia que o quarto mandato de Lula dará prosseguimento à política de valorização real do salário mínimo. “Para ter mais dinheiro para alimentação, para a cultura, para a moradia, é necessário manter a política do salário mínimo de ganho real. Então, a gente só espera que ela seja mantida. Nesse aspecto eu posso afirmar que não só a CUT, mas as outras centrais avaliam da mesma forma”, pontua.
No cenário estadual, Paulo Rocha acredita que a reeleição presidencial fortalece a negociação pela valorização dos servidores de Pernambuco. "Apesar da governadora não ter apoiado a reeleição de Lula, teremos um governo que não discrimina nenhum estado do Brasil. O que esperamos com relação aos servidores é que as negociações ocorram de maneira mais proveitosa. Precisamos de melhores condições de trabalho, boa remuneração e jornada de trabalho digna. Isso é o que vamos continuar cobrando e lutando", ressalta.