Tarifaço: Brasil e EUA voltam hoje à mesa de negociação
A reunião ocorrerá virtualmente, às 14h30, e será a primeira entre Jamieson Greer e o lado brasileiro desde que as novas sobretaxas entraram efetivamente em vigor
Armando Holanda - Correio Braziliense
Publicado: 31/08/2026 às 06:41
Márcio Elias Rosa: orientação é conter expectativas sobre a conversa (Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
O governo brasileiro chega à nova rodada de negociações comerciais com os Estados Unidos, marcada para esta segunda-feira (31/8), sem expectativa de um acordo imediato para reverter o tarifaço imposto pelo presidente Donald Trump. No Palácio do Planalto e no Itamaraty, a avaliação é de que o encontro entre o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), Márcio Elias Rosa, e o representante comercial norte-americano, Jamieson Greer, terá caráter exploratório e servirá, principalmente, para medir até onde Washington está disposto a avançar.
A reunião ocorrerá virtualmente, às 14h30, e será a primeira entre Greer e o lado brasileiro desde que as novas sobretaxas entraram efetivamente em vigor. Além do Mdic, representantes do Ministério das Relações Exteriores devem acompanhar as discussões. O encontro foi articulado após a conversa telefônica entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Trump, no último dia 21, quando os dois presidentes concordaram em reabrir o canal de negociação comercial.
Nos bastidores, integrantes do governo dividem as tratativas em dois momentos. A primeira etapa, voltada a tentar impedir que Washington efetivasse as medidas, é considerada encerrada. Agora, Brasília trabalha diante de um novo cenário, com as tarifas já em vigor, e busca rediscutir pontos da relação comercial, além de identificar quais concessões os norte-americanos estariam dispostos a colocar sobre a mesa.
Ponto de partida
A orientação é conter expectativas sobre a conversa. Fontes do Planalto e do Itamaraty avaliam que dificilmente Márcio Elias e Greer sairão do encontro com um entendimento fechado. Eventuais propostas deverão retornar aos respectivos governos antes de qualquer decisão. A expectativa, portanto, é de que a reunião funcione como ponto de partida para uma nova sequência de negociações.
A prioridade brasileira será ampliar a relação de produtos excluídos das sobretaxas. Uma discussão mais ampla sobre a reversão das medidas ficaria para uma etapa posterior.
As duas medidas adotadas por Washington em julho estabeleceram cobranças adicionais de 25% e 12,5% sobre parcelas das importações brasileiras. Quando incidem simultaneamente sobre uma mesma mercadoria, a sobretaxa chega a 37,5%. Dados do Mdic apontam que 23,1% das exportações brasileiras aos Estados Unidos estão alcançadas pelas novas medidas. Desse total, 16,5% estão sujeitos à alíquota acumulada de 37,5%, incluindo máquinas e equipamentos, madeira, calçados, móveis e confecções.
Antes do agravamento da disputa, Márcio Elias e Greer já haviam participado de cinco reuniões de alto nível desde maio, além de encontros entre equipes técnicas. As discussões envolviam pontos levantados por Washington no âmbito da Seção 301, como comércio digital, tarifas preferenciais, propriedade intelectual, etanol, desmatamento e combate à corrupção. A sequência de conversas, porém, não impediu a adoção das sobretaxas.
Apesar de outros assuntos estratégicos permearem a relação bilateral, fontes do Itamaraty avaliam que a conversa deverá permanecer concentrada, inicialmente, no regime tarifário. Temas como minerais críticos, por exemplo, não são vistos neste momento como eixo central do encontro.