Páscoa deve atrair mais de 106 milhões de consumidores no Brasil, aponta pesquisa
Com decisão de compra concentrada na última semana, ações no ponto de venda, experiência e gestão de estoque serão decisivas para impulsionar vendas
Publicado: 27/03/2026 às 15:39
Segundo o levantamento, os ovos de chocolate industrializados continuam no topo da preferência (56%), seguidos por bombons (50%) e barras (39%) (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Neste ano, a Páscoa de 2026 deve atrair cerca de 106,8 milhões de consumidores às compras em todo o Brasil, de acordo com levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil, em parceria com a Offerwise Pesquisas. Segundo a pesquisa, 65% dos brasileiros pretendem realizar as compras para a data, um crescimento de 4,2 milhões de pessoas em comparação a 2025.
Os dados do levantamento confirmam essa alta na procura pelos produtos. Os ovos de chocolate industrializados continuam no topo da preferência (56%), seguidos por bombons (50%) e barras (39%).
O gasto médio previsto é de R$ 253. O consumidor deve adquirir, em média, cinco produtos, para o período. Ainda de acordo com a pesquisa, 78% dos brasileiros pretendem consumir pratos tradicionais da época. O bacalhau, o salmão e o atum são a preferência absoluta de 49% dos consumidores, sobretudo entre os Baby Boomers e as Classes A/B.
Comportamento do consumidor
Em relação ao comportamento, embora 62% dos consumidores utilizem a internet para pesquisar preços, 95% ainda realizam suas compras em lojas físicas, com destaque para supermercados (62%) e lojas especializadas (44%). A qualidade dos produtos aparece como principal fator de decisão (45%), superando ligeiramente o preço (44%), enquanto promoções (38%) e variedade (27%) também influenciam a escolha.
Apesar do potencial de consumo, a decisão de compra segue concentrada na última hora: 45% dos consumidores devem comprar seus produtos apenas na semana da Páscoa.
Segundo o CEO da Higge Emerson Larizza, esse comportamento reforça a importância da organização de ações nos estabelecimentos. “O varejo precisa entender que a batalha da Páscoa é decidida, em grande parte, dentro da loja. Com o consumidor pesquisando preços, mas deixando para comprar no final, o trade marketing se torna essencial para converter intenção em venda”, afirma.
Endividamento
O levantamento ainda revela que o consumidor está mais cauteloso. O gasto médio previsto é de R$ 253, porém 82% desejam pesquisar preços antes de comprar, e 51% dos que não irão às compras apontam o endividamento como principal motivo. Entre os que pretendem consumir, 38% já possuem contas em atraso.
“O cenário para a Páscoa de 2026 apresenta um paradoxo: embora haja um desejo latente de celebrar e presentear, o componente de restrição financeira está mais forte do que nunca. Para quem vai às compras, a cautela deve ser a palavra de ordem, é fundamental que o consumidor faça um planejamento rigoroso e utilize a pesquisa de preços para evitar que a celebração de hoje se torne uma inadimplência prolongada amanhã”, destaca o presidente da CNDL, José César da Costa.
Para Larizza, esse cenário exige sensibilidade do varejo. “É um consumidor que quer celebrar, mas está mais racional. O trade marketing precisa equilibrar desejo e percepção de valor, oferecendo opções para diferentes perfis de consumo”, pontua.