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Etanol

Porto de Suape pode se tornar um hub no Nordeste para o abastecimento de navios com etanol

A expectativa do setor sucroenergético é de que o novo terminal de contêineres no Porto de Suape seja um hub do etanol como combustível marítimo para o Nordeste

Thatiany Lucena

Publicado: 26/01/2026 às 22:44

Projeto foi apresentado nesta segunda-feira (26), em palestra no Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool no Estado de Pernambuco (Sindaçúcar-PE) para representantes de usinas do Nordeste/Foto: Thatiany Lucena/DP

Projeto foi apresentado nesta segunda-feira (26), em palestra no Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool no Estado de Pernambuco (Sindaçúcar-PE) para representantes de usinas do Nordeste (Foto: Thatiany Lucena/DP)

O etanol está em fase de testes para ser usado no abastecimento de navios. O projeto foi apresentado nesta segunda-feira (26), na palestra ""Perspectivas de Estreitamento de Relações Comerciais para o Etanol, em Abastecimento de Navios", realizada no Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool no Estado de Pernambuco (Sindaçúcar-PE) para representantes de usinas do Nordeste. A expectativa é de que o etanol seja viabilizado como alternativa de transição energética para o setor marítimo, com potencial para transformar o estado em um hub para o setor.

Projetada como uma aposta da empresa para ser uma alternativa ao uso do metanol, que deve enfrentar desafios como falta de infraestrutura padronizada no mundo para a produção do combustível, o etanol está sendo testado como combustível para atender uma nova frota de navios.

De acordo com o Diretor de Negócios Públicos da APM Terminals, Felipe Campos, a empresa estima, que em um cenário conservador no qual o etanol ganhe 10% do consumo mundial de combustível marítimo, isso representaria o consumo de cerca de 50 milhões de toneladas de etanol. “Isso é mais do que o Brasil produz hoje, cerca de 37 milhões de toneladas”, aponta. Diante desse cenário, a perspectiva é de que a empresa aproveite a produção que já existe e pode ser ampliada, principalmente no Nordeste do país.

De acordo com o presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool no Estado de Pernambuco (Sindaçúcar-PE), Renato Cunha, a perspectiva do consumo do etanol, gerado pelo milho vem crescendo, mas não no ritmo de produção nacional. “É um mercado novo para se usar o etanol diretamente na mistura com o óleo bunker. Pernambuco chegou a produzir 700 milhões de litros de etanol em algumas safras. É um um consumo que pode ser em parte absorvido, também para o abastecimento desses navios com etanol”, explica Renato.

Segundo Cunha, caso os testes sejam aprovados, o uso do etanol para embarcações pode transformar o Porto do Recife em um hub para abastecer navios de todo o mundo, o que pode movimentar a economia do estado. “Há uma ampla possibilidade de uso desse etanol após os testes e após o funcionamento desses hubs de abastecimento que estão previstos no plano da Maersk. São portos concentradores de abastecimento de navios. Tanto pode ser o próprio produto que é produzido no Nordeste ou até por cabotagem que pode vir de outras regiões do do Brasil e concentrar-se em Pernambuco”, explica.

Nos últimos dois anos, a empresa dinamarquesa investiu R$1,6 bilhão para a construção do terminal de contêineres, no Porto de Suape. A previsão é de que o local seja utilizado como primeiro terminal 100% eletrificado do país.


Fase de testes

Para comprovar a viabilidade do uso do etanol, uma primeira fase de testes foi realizada com um Blend E10 (10% de etanol e 90% de metanol). Agora, a Maersk Terminals testa o E50 (50% etanol e 50% metanol) já com expectativa positiva de viabilidade. A previsão é de que o próximo teste, do E100, seja realizado com 100% de etanol brasileiro. Os testes, realizados na sede da empresa, na Dinamarca, foram realizados com embarcações bicombustíveis, projetadas para serem abastecidas com metanol.

 

 

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