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Acordo entre União Europeia e Mercosul beneficia Pernambuco

Aprovação de acordo comercial entre os blocos amplia oportunidades de relações comerciais em Pernambuco e no país, aliviando os efeitos do tarifaço em setores como o sucroalcooleiro

Thatiany Lucena

Publicado: 09/01/2026 às 22:09

Acordo entre a UE e o Mercosul será assinado no dia 17 de janeiro, no Paraguai/ Foto: União Europeia/Mercosul

Acordo entre a UE e o Mercosul será assinado no dia 17 de janeiro, no Paraguai ( Foto: União Europeia/Mercosul)

Os países da União Europeia (UE) aprovaram, nesta sexta-feira (9), o acordo comercial com o Mercosul. A assinatura do acordo, que será realizada no dia 17 de janeiro, deve abrir oportunidades comerciais entre diferentes setores produtivos de Pernambuco, como a fruticultura, o setor sucroalcooleiro e o polo automotivo do estado, principalmente, após os impactos do tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre os produtos brasileiros. Para entrar em vigor, porém, o tratado ainda precisa da aprovação do Parlamento Europeu.

Segundo o presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool no Estado de Pernambuco (Sindaçúcar-PE), Renato Cunha, o novo acordo com a UE abre espaço para uma maior relação comercial com os países do bloco, com melhores condições para exportações do açúcar e do etanol. Cunha explica que o acordo inaugura uma cota com tarifa zero para o etanol e, além disso, passa a existir uma nova cota de 180 mil toneladas de açúcar, também sem tarifação. “A medida é saudável para o livre mercado, no momento em que o mundo está também procurando ampliar os seus relacionamentos comerciais e as suas parcerias”, destaca.

O acordo comercial deve aliviar os impactos do tarifaço no setor. De acordo com Cunha, Pernambuco tem hoje uma cota com os Estados Unidos de 155 mil toneladas de açúcar com tarifa de 50% sobre as exportações. Ele explica ainda que serão duas cotas de etanol, uma de 450 mil toneladas sem tarifa de exportação para finalidades químicas e farmacêuticas; e outra de etanol de 200 mil para outros fins, inclusive combustível para automóveis.

Outro setor beneficiado será o de automóveis, que terá redução de tarifas para importação e exportação desses produtos. Segundo Cunha, hoje a tarifa gira em torno de 35%, mas será reduzida ao longo dos anos em uma escala.

Abertura de novos investimentos


Na análise do gerente de Política Industrial da Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe), Maurício Laranjeira, para o setor de indústria de Pernambuco, o acordo torna os produtos pernambucanos mais competitivos e traz novas condições de acesso ao mercado europeu. “A gente fica com mais destinos possíveis de negociação de exportações e com certeza ajuda a tentar dissipar e derrubar de vez esse tarifaço ou o que sobrou dele. Isso torna um ambiente mais propício para o livre comércio”, afirma.

Ele confirma ainda que, além dos setores de fruticultura e sucroalcooleiro, outro setor que será beneficiado é o polo automotivo. “Pernambuco tem um polo automotivo já bem consolidado, temos a condição de poder exportar automóveis de maneira mais competitiva para um mercado que é bastante exigente. A Stellantis, instalada aqui em Pernambuco, está começando a se voltar para carros com menos emissão de poluentes, carros elétricos e híbridos. Então, essa nova fronteira pode ser bem interessante também para esse nosso polo automotivo”, destaca.

Cenário nacional


Para o professor de Economia da USP, doutor em economia e professor da FIA Business School, Paulo Feldmann, o acordo comercial deve fortalecer ainda mais as relações comerciais europeias com o Brasil, que já são boas.

“Produtos que foram afetados pelo tarifaço de Trump, principalmente café e carne de boi, já estão encontrando mercado na Europa. O Brasil já vende muito na Europa, sem acordo, mas creio que com o acordo vamos vender mais ainda”, aponta.

Ainda de acordo com Feldmann, o acordo é importante para a economia brasileira porque chega em um momento de polarização entre os Estados Unidos e China. “Esse acordo vem em hora boa porque ele vai ser uma espécie de contraponto à pressão que o Trump vai fazer em cima da América do Sul. Além disso, a Europa é um mercado enorme, de quase US$ 20 trilhões. É muito maior do que o nosso mercado brasileiro e da América do Sul”, reforça.

Alguns setores terão dificuldades


Por outro lado, de acordo com Feldmann, alguns segmentos brasileiros vão ter dificuldade, por exemplo, o de pequenas empresas. “As pequenas empresas europeias contam com um apoio legal governamental muito grande. Então, em segmentos onde predomina a pequena empresa, nós aqui, principalmente no Brasil, teremos problemas”, afirma. Contudo, segundo ele, essa é apenas uma pequena parcela diante dos benefícios do acordo.

Ele destaca ainda que, outro setor que deve passar a vender cada vez mais para a Europa é o agrícola. “Por outro lado, temos uma vantagem no acordo, pois ele nos deixa mais independentes dos EUA e da China. Também é mais fácil conversar com os europeus, na minha opinião”, analisa.

 

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