Governos locais em toda a Europa oferecem incentivos financeiros para atrair novos residentes em cidades e vilarejos que enfrentam êxodo rural. Famílias dispostas a se mudar podem receber desde alguns milhares de euros até dezenas de milhares, e é isso o que está acontecendo em uma vila na Suíça.
Os benefícios europeus dependem da região escolhida e das condições impostas pelos municípios. Essas iniciativas respondem a um problema crescente nas áreas rurais europeias: populações envelhecidas e reduzidas porque os jovens migram para centros urbanos ou optam por não ter filhos.
Para reverter esse cenário, autoridades locais atraem estrangeiros com programas de relocação que cobrem os custos iniciais da mudança.
Incentivo de Albinen para famílias se mudarem para região alpina
A pequena vila alpina de Albinen, no cantão suíço de Valais, oferece o incentivo mais generoso do continente. Adultos menores de 45 anos podem receber €25.300 para se mudar para lá. Cada filho acrescenta €10.120 ao benefício, e famílias com múltiplas crianças podem receber mais de €50.000 no total. Albinen fica a pouco mais de uma hora de carro da estação de esqui de Verbier.
No entanto, o município impõe critérios rigorosos: os candidatos devem ser cidadãos suíços ou estrangeiros com residência de longa duração no país (categoria C), investir em um imóvel avaliado em pelo menos €202.310 e se comprometer a viver lá por 10 anos. A procura é tão alta que o conselho municipal recebe cerca de 100 consultas diárias. Apesar do interesse, apenas uma pequena parcela dos candidatos consegue atender aos requisitos.
O prefeito de Albinen afirma que 99% dos interessados que contataram a localidade não cumprem as condições necessárias para a mudança. Ele estima que entre 5 e 10 famílias, no máximo, reivindicarão o benefício nos próximos 5 anos.
Espanha oferece alternativas com menos exigências
Outra cidade em que há benefícios para estrangeiros é o município de Ponga, localizado nas Montanhas Cantábricas no noroeste espanhol. A administração municipal oferece €2.971 para cada pessoa que se mude para lá, e um adicional de um valor idêntico por cada bebê nascido na localidade. O compromisso exigido é menor que o suíço: apenas 5 anos de residência.
Com população de aproximadamente 600 habitantes, Ponga oferece acesso a uma reserva da biosfera da Unesco e fica a apenas uma hora de carro do litoral, combinando vida rural com proximidade ao mar.
Já a aldeia galega de Rubia apresenta um modelo diferente: em vez de pagamento único elevado, oferece até €150 mensais aos que se mudam, direcionando o programa para famílias em busca de aumentar o número de alunos nas escolas locais. O local fica a 2,5 horas a leste de Santiago de Compostela.
Itália oferece incentivos variados com restrições
A Calábria, região do sul da Itália, incentiva a mudança para vilarejos com menos de 2 mil habitantes e oferece até €28.000 por candidato. O programa quer combater o esvaziamento demográfico, mas impõe restrições: apenas pessoas com 40 anos ou menos podem se candidatar.
Os candidatos também precisam encontrar emprego ou iniciar um negócio em setores deficitários, como gastronomia, hospedagem ou comércio varejista. A mudança deve ocorrer dentro de 90 dias após a aprovação. Na ilha italiana de Sardenha, o programa oferece €15.000 para quem se muda para municípios com menos de 3 mil residentes. Os beneficiários devem registrar residência permanente na Sardenha dentro de 18 meses após a chegada. Outra iniciativa na ilha, da comuna de Ollolai, oferece três meses de aluguel gratuito para profissionais que trabalhem remotamente.
O programa é financiado por um fundo governamental de mais de €45 milhões, suficiente para cobrir cerca de 3 mil subsídios. O dinheiro deve ser destinado à compra ou reforma de um imóvel, e o subsídio cobre no máximo metade do custo total da propriedade ou da obra.
Alguns programas italianos já demonstram resultados modestos. Em Bormida, vilarejo no norte do país, aluguéis baratos atraíram 50 pessoas antes de propor o bônus de €2 mil. Em Candela, seis famílias do norte já atenderam aos critérios de relocação, mas apenas uma foi efetivamente atraída. O caso mostra que esses incentivos funcionam, ainda que lentamente.










