O corte de laços entre filhos adultos e pais aparece cada vez mais nas redes sociais. Conflitos de valores e falta de apoio emocional estão entre os motivos frequentes do afastamento de acordo com estudo das psicologia.
Uma pesquisa realiza nos Estados Unidos aponta que mais de um quarto (26%) das pessoas com mais de 15 anos está afastado dos pais, enquanto uma em cada 20 (6%) não tem contato com as mães.
O afastamento intencional entre pais e filhos adultos vai além de simples desacordos familiares. É uma decisão profunda, diferente de conflitos temporários ou relações de pouco contato, nas quais ainda há comunicação.
Segundo o professor de desenvolvimento humano Karl Andrew Pillemer, esse afastamento persiste a longo prazo, mesmo quando membros da família tentam restabelecer o contato. Por isso, ele o considera um fenômeno único e poderoso.
Conflitos de valores entre gerações
Filhos adultos que iniciam o corte de contato frequentemente citam o comportamento tóxico dos pais ou a sensação de não receber apoio e aceitação. O choque de valores fundamentais entre gerações também é um gatilho comum.
Esse choque de valores também pode envolver conflitos políticos. Nos Estados Unidos, discordâncias intensas levam filhos adultos a reduzir ou cortar contato para proteger o próprio bem-estar.
O corte de contato pode ocorrer quando os pais expressam valores que os filhos temem transmitir às próprias crianças. Em um caso documentado, um pai de duas crianças decidiu cortar contato depois de sua mãe fazer afirmações racistas durante uma conversa na presença de seu filho de sete anos. O pai do homem tentou defender a mãe dele ao enviar um e-mail com um vídeo sobre supremacia branca.
Os pais, por sua vez, tendem a atribuir o afastamento a terceiros e a situações externas. As versões revelam interpretações divergentes sobre os mesmos acontecimentos.
Diferenças segundo gênero e orientação sexual
O afastamento é mais frequente em relação aos pais (26%) do que às mães (6%). Filhas se afastam ligeiramente mais dos pais (28%) que filhos (24%). Entre pessoas que se identificam como gays e lésbicas, a taxa de afastamento dos pais é de 32%. Entre pessoas bissexuais, chega a 36%. As duas taxas são superiores aos 22% registrados entre heterossexuais.
A orientação sexual está associada a diferentes taxas de afastamento dos pais. O estilo de apego de cada pessoa em relação a cada um dos pais também influencia como ela vivencia o afastamento.
Uma pessoa pode ter apego seguro com um dos pais e apego ansioso, evitante ou medo-evitante com o outro. Segundo a teoria do apego, essa diferença pode moldar sua experiência emocional ao cortar ou limitar o contato.
O peso emocional e as alternativas
Cortar laços com um dos pais pode trazer sentimentos negativos e positivos, às vezes ao mesmo tempo. É possível sentir alívio e angústia simultaneamente, e a culpa pode se tornar algo frequente nessa experiência.
Isso ocorre especialmente quando há expectativas culturais ou familiares de que os filhos mantenham o relacionamento com os pais a qualquer custo. Quem considera essa decisão deve saber que existem alternativas, como o contato reduzido ou o método chamado “grey rocking”, que limita a comunicação ao mínimo de troca de informações, sem envolvimento emocional.
O afastamento não precisa ser permanente: pesquisas mostram que 81% das pessoas se reconciliaram com as mães das quais estavam afastadas e 69% se reconciliaram com os pais.
Quando buscar apoio profissional
Quem considera cortar contato com um genitor pode buscar a ajuda de um profissional de saúde mental para refletir sobre a decisão e obter suporte. Essa escolha merece reflexão cuidadosa, considerando tanto o impacto emocional quanto a possibilidade de mudança futura.










