Na sexta-feira, 11 de setembro, o São Paulo Futebol Clube fez o primeiro pagamento parcial desde o início dos atrasos salariais. Os valores beneficiaram 71 atletas, principalmente das categorias de base de Cotia e uma pequena parcela do elenco profissional na Barra Funda, e totalizou menos de R$ 1 milhão.
O pagamento alivia apenas parte da crise financeira vivida pelo Tricolor. Pela primeira vez em sua história, o São Paulo deixou de honrar os vencimentos em carteira do elenco profissional na terça-feira (8 de setembro). O atraso deveria ter sido resolvido em poucos dias, mas a situação se agravou rapidamente.
Múltiplas camadas de dívida
Além dos salários em atraso, o clube paulista acumula três meses de débitos nos direitos de imagem dos jogadores. Essa remuneração, que deveria ser paga em cinco parcelas ao longo do ano, foi interrompida após apenas cinco depósitos em fevereiro.
O próximo vencimento dos direitos de imagem está marcado para 28 de setembro e aumenta a preocupação sobre a capacidade do clube de cumprir esse novo compromisso. A diretoria se comprometeu com a Torcida Independente a resolver os atrasos de direitos de imagem até o fim do mês, usando R$ 140 milhões de antecipação de receita previstos no contrato com a Ticketmaster.
O Conselho Deliberativo ainda não aprovou a operação, e a oposição interna trava o processo. Com isso, o contrato prevê a devolução do valor em cinco anos, com juros, e deixa o clube dependente dessa receita futura.
O cenário financeiro amplo
A crise vai além dos salários e direitos de imagem. O clube precisa de soluções estruturais para reduzir o passivo. Mesmo com uma redução de 11,4% da dívida em 2025, o ritmo de melhora não acompanha o tamanho do problema acumulado ao longo dos anos.
O clube não tem previsão clara para quitar os débitos atuais, conforme apurado pela reportagem. Depende da aprovação do Conselho Deliberativo do contrato com a Ticketmaster para liberar os recursos previstos e normalizar os pagamentos.
A regularização parcial desta sexta-feira mostra um primeiro movimento, mas não impede que setembro termine com novos atrasos acumulados. Para estabilizar as finanças, o Tricolor precisa de mais que ajustes pontuais: demanda uma reformulação profunda da gestão fiscal para evitar a repetição da crise.










