Uma réplica em tamanho real de quase 40 metros de comprimento ocupa o Parque Ibirapuera, em São Paulo, até 27 de novembro. O Patagotitan é o maior dinossauro catalogado pela ciência, com 8 metros de altura, impressionando visitantes da exposição Dinossauros – Patagotitan, o Maior do Mundo.
A mostra reúne 12 réplicas de fósseis encontrados na Argentina, montadas para reconstituir o cenário em que esses animais viveram. O paleontólogo Luiz Eduardo Anelli, professor do Instituto de Geociências da USP e responsável pela exposição no Brasil, coordena a curadoria do material trazido ao país.
Segundo Anelli, em entrevista ao site GZH, o tamanho funcionava como proteção: um exemplar saudável e adulto do porte do Patagotitan dificilmente enfrentava predadores capazes de ameaçá-lo. Essa escala também intriga o público, que costuma estranhar a aparência amigável de um animal tão colossal.
Uma espécie que viveu há milhões de anos
O Patagotitan mayorum teria existido há cerca de 100 milhões de anos, no período Cretáceo. Foi justamente nessa fase que a maior parte dos dinossauros conhecidos hoje teria alcançado seu auge, segundo a reconstrução feita por paleontólogos a partir dos fósseis.
Na época, o planeta tinha apenas um bloco de terra, chamado Gondwana, cercado por dois oceanos. Anelli explica que essa ausência de divisão marítima ajudaria a entender por que não existem registros de dinossauros nos mares, mas sim em regiões como a Antártida.
Clima e diversidade entre territórios distintos
O que hoje corresponde ao Brasil tinha um clima bastante seco naquele período, bem diferente da área que se tornaria a Argentina. Lá, o ambiente era mais úmido, com florestas e matas que favoreceram uma diversidade maior de espécies de dinossauros.
O Patagotitan foi localizado na província argentina de Chubut, na Patagônia, região que concentra boa parte dos fósseis exibidos na mostra. Essa distinção de climas ajuda a explicar por que a Argentina se tornou um dos principais pontos de descoberta desses animais.
Da linhagem Brasileira ao gigante argentino
O Buriolestes schultzi, descoberto em São João de Polêsine, no Rio Grande do Sul, é considerado o dinossauro mais antigo já encontrado. Mais de 2.500 quilômetros de distância e 133 milhões de anos separam esse pequeno predador brasileiro do gigante argentino que leva o título de maior do mundo.
Essa linhagem de dinossauros tinha entre 50 centímetros e 1,5 metro de altura, pesava cerca de 8 quilos e caçava apoiado em duas patas, com garras e dentes afiados. Entre uma espécie e outra, o Leonerasaurus taquetrensis representa um estágio intermediário, quando o pescoço começou a se alongar e a cabeça relativamente diminuiu de tamanho.
Segundo Anelli, a evolução atua em populações numerosas de animais pequenos, onde genes circulam intensamente e geram variações que se espalham entre espécies. Ele destaca ainda que uma mesma característica, como o comprimento do pescoço, pode evoluir em direções opostas dentro da mesma linhagem.
Um corpo gigante movido a plantas
Apesar do porte avantajado, o Patagotitan sustentava suas 77 toneladas com uma alimentação à base de plantas e algas. O pescoço extenso permitia alcançar vegetação em diferentes alturas sem precisar se deslocar o tempo todo.
A exposição no Parque Ibirapuera funciona de terça a Domingo, com entrada no valor de R$ 20,00 a inteira e R$ 50,00 para outras categorias, conforme os valores praticados no local. Crianças até 2 anos têm acesso Livre à mostra que reconstitui, em escala real, um dos maiores animais que já pisaram na Terra.










