O mar avançaou sobre a orla de Itapoá, no Litoral Norte de Santa Catarina, na última quarta-feira (9), e ondas atingem a faixa de areia junto a imóveis e restaurantes. O avanço se intensifica com a passagem de um ciclone extratropical, que traz condições climáticas adversas à região.
Vídeos da Terceira Pedra, no bairro Itapema do Norte, mostram ondas destruindo estruturas de contenção instaladas para proteger a costa. Em alguns pontos, a areia desaparece completamente, deixando o local vulnerável ao avanço contínuo do mar.
Ciclone intensifica risco no litoral
A passagem do ciclone extratropical muda as condições meteorológicas em Santa Catarina nos próximos dias. Na quinta-feira (10), há previsão de chuva intensa entre o Oeste e o Norte do Estado, com possibilidade de impacto maior em Itapoá, cidade localizada próxima à divisa com o Paraná.
Na sexta-feira (11), a previsão inclui temporais, ventos fortes e até granizo. A previsão indica melhora durante o fim de semana. A combinação de maré alta, lua cheia e ventos intensifica a perda de areia e sedimentos da costa.
Maior obra de recuperação do país sob pressão
O avanço do mar ocorre durante a fase final do maior projeto de alargamento de praia já realizado no Brasil. Itapoá recebe sedimentos retirados da dragagem do canal externo da Baía da Babitonga, transformando a orla através do reaproveitamento desse material do fundo do mar.
A obra pretende depositar 6,4 milhões de metros cúbicos de sedimentos na praia. Volume equivalente a uma montanha de 200 metros de altura — mais do que o dobro do utilizado na megaobra de Balneário Camboriú.
O projeto representa uma referência nacional de recuperação litorânea, resultado de parceria entre o governo estadual e o setor privado, com custo estimado em cerca de R$ 324 milhões.
Emergência decretada em cidades costeiras
Santa Catarina tem sete municípios em situação de emergência por causa da combinação de fenômenos naturais agravados pelas mudanças climáticas. Entre março e quarta-feira (8), Passo de Torres, Balneário Barra do Sul, São Francisco do Sul, Garopaba, Itapoá e Barra Velha emitiram decretos à Defesa Civil. Itapema publicou o próprio decreto na terça-feira (7).
A destruição em praias costeiras inclui calçadas danificadas, árvores arrancadas e estruturas de contenção levadas pelas ondas, mostrando o impacto da erosão marítima em áreas urbanizadas do Litoral catarinense.
Como funciona a erosão costeira
A erosão costeira resulta da ação contínua de ondas, correntes marítimas, vento e marés sobre a costa. Esse processo natural se acelera com a elevação do nível do mar e o aumento da intensidade de eventos climáticos extremos, ambos ligados às mudanças climáticas globais.
Itapoá, que tem a maior faixa litorânea de Santa Catarina, fica especialmente vulnerável à combinação desses fatores. A faixa de areia que a recomposição busca ampliar permanece sob pressão constante, o que reforça a necessidade de proteção costeira diante de um clima cada vez mais instável.










