A Porsche conseguiu, por meio de uma linha piloto de produção, fabricar uma célula de bateria cujo cátodo é feito inteiramente com lítio, níquel, cobalto e manganês provenientes de reciclagem, o que é considerado um resultado inédito para a marca. Nenhuma matéria-prima nova entrou na composição: todos os metais empregados vieram de baterias já utilizadas anteriormente.
Esse avanço saiu de uma linha piloto criada junto com a Cylib, companhia alemã voltada à reciclagem de baterias. Antes de seguir para uma produção maior, as células resultantes desse processo ainda vão enfrentar uma longa etapa de avaliações.
A Porsche pretende ainda usar as matérias-primas recuperadas na produção de novas células a partir de 2028, depois de validar o processo em escala maior.
Projeto piloto em operação desde 2025
O programa de reciclagem de baterias de alta tensão, iniciado em 2025, deixou de ser apenas um teste e ganhou maior escala de operação. Isso porque, a partir de maio, os Porsche Centers na Alemanha passaram a enviar à Cylib as baterias retiradas de carros fora de uso, para que sejam tratadas pelo método de reciclagem à base de água da empresa.
Joachim Scharnagl, do Conselho Executivo da Porsche na área de compras, avaliou que conseguir fabricar células a partir apenas de material reciclado mostra o quanto o programa já evoluiu.
Cada metal reaproveitado é acompanhado separadamente por um sistema de rastreamento ao longo de toda a cadeia de reciclagem. Esse controle permite identificar quanto de cada material retorna efetivamente à produção e garante transparência sobre a origem dos componentes usados nas novas células.
Desafios técnicos e regulação europeia
O desafio vai além da recuperação dos metais, e eles precisam atingir pureza suficiente para voltar diretamente à fabricação de cátodos. O projeto coincide com o endurecimento das normas de sustentabilidade na União Europeia.
O Regulamento de Baterias da UE já estabelece índices mínimos de recuperação para cobalto, cobre, chumbo, níquel e lítio. Uma avaliação recente do Joint Research Centre concluiu que essas metas conciliam as exigências industriais com níveis elevados de reaproveitamento.
A partir de 18 de fevereiro de 2027, as baterias de veículos elétricos precisarão incluir um passaporte digital na União Europeia com aproximadamente 71 pontos padronizados de informação. Entre eles a composição química, o histórico de uso e o percentual de conteúdo reciclado.










