A fábrica da Motorola em Jaguariúna, no interior de São Paulo, produz até um milhão de celulares por mês — o mesmo que todas as plantas da Terra do Fogo somadas.
Localizada perto de Campinas, a fábrica é a maior unidade da empresa fora da China e abastece exclusivamente o mercado brasileiro. A fábrica opera continuamente e, quando trabalha em conjunto com a segunda planta da Motorola em Manaus, produz 1,5 celular por segundo.
O Brasil é o quinto maior mercado de smartphones do mundo, atrás apenas de China, Índia, Estados Unidos e Indonésia. Essa posição justifica o investimento em uma estrutura dessa escala no país.
A fábrica ocupa 60 mil metros quadrados e reúne várias linhas de montagem, cada uma dedicada a um modelo específico de telefone. Todas funcionam com a mesma tecnologia e o mesmo padrão de produção encontrados em complexos da China, Vietnã ou Terra do Fogo.
O processo de fabricação, passo a passo
Do recebimento das peças espalhadas até o embalamento final, o telefone leva cerca de 40 minutos para ficar pronto e sair da fábrica. O processo começa com a montagem física das peças na placa de circuito (PCB). Máquinas de solda e operadores especializados soldam e conectam os componentes. Um smartphone moderno pode ter entre 700 e 1.500 componentes.
A segunda etapa verifica o funcionamento dos componentes, e equipamentos são retirados aleatoriamente de um lote para exame minucioso, que confirma se tudo está conforme esperado
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A terceira etapa instala o Android em duas fases, e primeiro, uma versão básica valida sensores e rádios. Depois, a versão completa do sistema operacional é instalada, e todo esse processo leva menos de dez minutos. Depois, cada telefone é colocado em uma caixa individual, e os paletes são montados para distribuição em todo o país.
A estrutura de controle e segurança
O armazém funciona com um sistema rigoroso de vigilância e sigilo. Fotografias são proibidas em quase toda a extensão, e a empresa mantém em segredo a ordem de montagem e os equipamentos usados para automatizar certos processos.
A Flex administra a fábrica, e gigante da fabricação de eletrônicos semelhante à Foxconn, a empresa também fabrica produtos para a Apple e outras empresas. Quem entra na planta precisa usar macacão especial, boné e um acessório nos sapatos para evitar descargas eletrostáticas que danificam peças sensíveis.
Uma sala de controle monitora em tempo real a atividade de cada linha de montagem em Jaguariúna, Manaus, na China, nos Estados Unidos e na Terra do Fogo. Isso garante que a produção mantenha o mesmo padrão em todas as unidades e que qualquer gargalo seja identificado e corrigido rapidamente.
Escala que rivaliza com centros globais
Perto da fábrica, a Motorola possui um centro dedicado ao desenvolvimento de todos os seus softwares de câmeras — área em que a empresa era historicamente fraca. Mas melhorou muito nos últimos anos, e esse centro funciona no Instituto Eldorado, onde também foram criadas inovações recentes, como gestos para acionar a lanterna ou a câmera agitando o telefone.
Essas ideias foram desenvolvidas no Brasil e são usadas em todo o mundo. A importância de Jaguariúna para a Motorola é comparável à de fábricas em cidades como Dongguan, na China, que abrigam operações de gigantes como a Oppo.
O diferencial é que, enquanto fábricas chinesas e vietnamitas atendem a mercados globais, a planta brasileira é estratégica por sua capacidade de responder rapidamente à demanda local e produzir em escala que outros centros nacionais não conseguem acompanhar.










