Astrônomos da Nasa confirmaram a descoberta do exoplaneta mais jovem já identificado: o Elias 2-24 b, com menos de 1 milhão de anos e ainda em pleno processo de formação.
O anúncio de 16 de setembro intriga a comunidade científica porque o corpo celeste desafia as previsões sobre quanto tempo leva para surgir um mundo do tamanho de Júpiter. Inserido em um disco de gás e poeira que envolve sua estrela hospedeira, o planeta continua incorporando material cósmico, como os modelos preveem.
A diferença está na velocidade, e os cientistas esperavam que esse processo levasse milhões de anos, mas o Elias 2-24 b se formou em uma fração desse tempo. A uma distância de sua estrela cerca de 55 vezes maior que a distância entre a Terra e o Sol.
Como as teorias ficaram para trás
Até a descoberta deste “bebezão” planetário, o recorde de mundo mais jovem era compartilhado entre quatro corpos que orbitam as estrelas PDS 70 e WISPIT 2, todos com mais de 5 milhões de anos. Pesquisadores acreditavam que um planeta com massa comparável à de Júpiter precisaria desse tempo todo para se formar à distância observada agora no Elias 2-24 b.
O achado revela que os modelos atuais de formação planetária ainda deixam de fora processos importantes que permitem aos mundos gigantes crescerem mais depressa. Segundo o estudo publicado no periódico The Astrophysical Journal Letters, o planeta nasceu pelo processo de acreção de núcleo, mecanismo capaz de gerar planetas gigantes mais rápido do que se acreditava.
Lucas Cieza, coautor da pesquisa, afirma que os modelos ainda deixam de explicar componentes essenciais desse desenvolvimento.
A investigação que cruzou telescópios
A descoberta começou há cerca de 10 anos, quando observações do Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA), no Chile, revelaram uma lacuna no disco de poeira ao redor da jovem estrela. Depois, o Telescópio Muito Grande do Observatório Europeu do Sul, também localizado no Chile, captou um brilho fraco exatamente nessa abertura.
A equipe precisava confirmar se aquele sinal correspondia a um planeta ou a uma estrela distante. Consultando o Arquivo do Observatório Leck — em parceria financiada pela Nasa pelo Instituto de Ciência de Exoplanetas — os pesquisadores compararam registros de 2018 e 2020. O padrão de movimento observado coincidia com o de um corpo planetário, não de uma estrela.
Novos olhos para o espaço
O Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, lançado em 30 de agosto, representa um salto na capacidade de detecção cósmica. Com um campo de visão 100 vezes maior do que seus predecessores, o instrumento mapeará 50 vezes mais espaço do que o Hubble cobriu em seus 30 anos de operação.
A expectativa da agência é que o Roman localize planetas ainda mais jovens, em órbitas menores, superando potencialmente o recorde do Elias 2-24 b.
Andrea Bernardi, doutoranda na Universidade Diego Portales no Chile, afirmou à CNN Brasil que a confirmação só foi possível usando múltiplos telescópios em conjunto. Segundo ela, o Elias 2-24 b está no limite do que os instrumentos atuais conseguem detectar, mas tecnologia mais avançada tornará essas observações bem mais acessíveis no futuro.










