Pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria descobriram uma nova espécie de réptil fóssil no Rio Grande do Sul que viveu há 240 milhões de anos, ancestral direto dos dinossauros. Descrita no periódico científico Scientific Reports, a espécie Silescelida acristata marca a primeira ocorrência dessa linhagem na América do Sul.
O animal caminhou sobre a Terra durante o Período Triássico Médio, cerca de 10 milhões de anos antes do surgimento dos primeiros dinossauros propriamente ditos. Naquela época, os ecossistemas terrestres ainda se recuperavam da maior extinção em massa da história, conhecida como extinção Permo-Triássica.
Um ancestral raro dos dinossauros
Silescelida acristata pertence ao grupo dos arcossauros, que inclui tanto os dinossauros extintos quanto as aves modernas e os crocodilos. Outras espécies dessa linhagem foram encontradas na África, Ásia e Europa, mas nenhuma havia sido identificada na América do Sul até agora.
A descoberta expande significativamente a distribuição geográfica desses animais primitivos e oferece novas pistas sobre como os arcossauros se originaram e se dispersaram globalmente. O fóssil revela características anatômicas que o conectam aos ancestrais comuns de dinossauros e crocodilos, ajudando a compreender um dos capítulos mais importantes da evolução dos vertebrados terrestres.
Como o fóssil foi encontrado e identificado
O espécime foi escavado há cerca de 20 anos no município de Dona Francisca. Na região central do Rio Grande do Sul, em rochas do Período Triássico Médio, com idade entre 247 a 237 milhões de anos. O local faz parte do Geoparque Quarta Colônia UNESCO, um sítio fossilífero que já revelou restos de alguns dos dinossauros mais antigos do planeta.
Durante décadas o fóssil permaneceu sem identificação adequada, e parte essencial do espécime havia desaparecido da coleção científica, impossibilitando sua descrição formal. Apenas em 2022, durante uma visita técnica, pesquisadores do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia localizaram o fragmento desaparecido guardado na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.
Com o material completo em mãos, foi possível confirmar sua origem e realizar a identificação formal, divulgada agora na comunidade científica.










