A Nestlé eliminará 16 mil postos de trabalho até o fim de 2027, o equivalente a 5,8% do quadro global. A maior parte dos cortes será de cargos administrativos — 12 mil vagas —, enquanto outras 4 mil serão eliminadas nas áreas de fabricação e cadeia de suprimentos.
Duas unidades industriais da empresa serão fechadas entre 2025 e 2026: uma na Alemanha e outra na Hungria. No Brasil, porém, o cenário é oposto: a companhia investirá R$ 7 bilhões até 2028 e já abriu uma fábrica de R$ 2,5 bilhões.
Estratégia de reestruturação acelera sob pressão dos investidores
O presidente-executivo Philipp Navratil anunciou o plano de reestruturação em outubro de 2025 para simplificar processos, ampliar serviços compartilhados e investir em automação. A meta é reduzir estruturas duplicadas e gerar economia com o programa Fuel for Growth, cuja meta subiu para 3 bilhões de francos suíços até o fim de 2027.
A pressão dos investidores por crescimento mais forte e margens melhores motivou as mudanças. O lucro líquido da Nestlé caiu 31,4% no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período de 2025, aumentando a pressão para recuperar a rentabilidade em um mercado global cada vez mais competitivo.
Alemanha: mais de um século de história termina em junho
A fábrica de Neuss, perto de Düsseldorf, encerrou a produção em 9 de junho, após 100 anos fabricando óleo, maionese e mostarda da marca Thomy. A unidade enfrentava custos crescentes, consumidores mais sensíveis a preço, queda na demanda e capacidade ociosa, fatores que a tornavam inviável para os 145 funcionários.
A produção de tubos de maionese e mostarda foi transferida para a fábrica de Lüdinghausen, que recebeu investimento de cerca de 13 milhões de euros e criou 30 vagas destinadas aos funcionários atingidos. Uma terceira unidade, a fábrica de Conow, foi vendida a um grupo alemão em vez de ser fechada.
Hungria encerra chocolates antes do final do ano
A Nestlé confirmou em julho de 2026 o fechamento da fábrica de Diósgyőr, na Hungria, que deixará de produzir chocolates até dezembro. A unidade empregava aproximadamente 220 funcionários e representava parte da estratégia de concentrar fabricação em locais mais competitivos.
Apesar dos fechamentos na Europa, a marca continua vendendo produtos fabricados em outras unidades do grupo espalhadas pelo mundo. Produtos como KitKat e outras linhas de chocolate seguem sendo distribuídos por fábricas mais eficientes.
Brasil segue na contramão com expansão de vagas
Enquanto fecha fábricas na Europa, a Nestlé mantém mais de 30 mil empregos no Brasil e opera 18 fábricas. Os investimentos anunciados mostram a aposta da companhia em mercados em desenvolvimento para compensar a retração em regiões mais maduras.
A ampliação brasileira faz parte da estratégia global de reposicionar a produção em regiões onde a demanda cresce e os custos operacionais são mais vantajosos. A companhia mantém essa expansão enquanto executa a agenda de cortes de pessoal administrativo e otimização industrial em mercados saturados.










