Uma mulher nos Estados Unidos processou a plataforma de apostas DraftKings, alegando que a empresa aliciou seu marido com bônus e presentes, embora soubesse que ele tinha vício em jogo. Ao longo de quatro anos, ele depositou quase US$ 1 milhão na plataforma, incluindo as economias da esposa e dos filhos.
Lisa D’Alessandro abriu um processo na Corte Superior do estado de Nova Jersey. Segundo a ação, as empresas de apostas incentivavam seu marido a gastar mais, embora conhecessem o problema dele. Os depósitos superavam em muito a renda anual do homem: em 2022, equivaliam a 300% de sua renda; em 2023, chegaram a 440%.
Como começou o vício em apostas
O homem usava o nome de usuário Mdallo1990 para acessar a plataforma e, conforme o processo, seus depósitos mensais atingiram US$ 64.715,62 em 2023.
Segundo a ação judicial, a empresa não verificou adequadamente a renda do homem. Se tivesse consultado seu formulário W-2, declaração de renda americana, teria percebido que ele ganhava US$ 175 mil por ano, e não os valores que depositava.
A família se separou dele, mas só depois de perder US$ 942.232,32. D’Alessandro alega que o marido usava o cartão de crédito da esposa e as contas de poupança das crianças, que guardavam dinheiro recebido em batismos, no Natal e em aniversários.
O que a plataforma oferecia para mantê-lo jogando
Segundo a ação, a DraftKings enviava presentes e troféus para “parabenizá-lo” pelos depósitos, mesmo quando os valores superavam o que suas finanças permitiam. A empresa é acusada de ignorar sinais claros de vício e continuar a incentivá-lo a gastar mais.
O processo também cita os cassinos físicos parceiros Resorts Atlantic City, DGMB Casino e DGMB Casino Holding como responsáveis pelo vício do homem. A ação alega violação da Lei de Proteção ao Consumidor de Nova Jersey, negligência por permitir que alguém com um problema evidente de jogo continuasse apostando e conversão imprópria de fundos.
Desafios legais e resposta das empresas
Tim Fong, psiquiatra especializado em vício em jogo e codiretor do Programa de Estudos de Jogo da UCLA, afirma que casos como esse enfrentam dificuldades jurídicas. As leis sobre apostas móveis ainda são vagas e mudam rapidamente, enquanto o setor avança mais rápido que os legisladores.
Um porta-voz da DraftKings recusou comentar, e nenhum dos réus respondeu às solicitações de comentário. Fong explica que as empresas seriam responsabilizadas principalmente se soubessem que o cliente tinha um problema de jogo e continuassem a direcioná-lo com incentivos e promoções.










