Um dos mamiferos mais chamativos do continente africano, o gnu , também conhecido como boi-cavalo, costuma iniciar a cada primavera uma jornada de aproximadamente 800 quilômetros, em uma travessia de ida e volta impulsionada pela chuva, pela vegetação e pela luta pela sobrevivência. A Grande Migração envolve milhões desses animais e representa o maior deslocamento de grandes herbívoros do planeta.
O fenômeno começa na parte sul da Tanzânia e segue rumo ao norte, até a Reserva Nacional do Masai Mara, no Quênia, antes de retornar ao Serengeti quando as chuvas voltam, em outubro. “Todas essas espécies fazem parte de um belo e dinâmico mosaico alimentado pelos ciclos de chuva e seca”, afirma T. Michael Anderson, explorador da National Geographic. Dezenas de espécies participam do fenômeno, mas o gnu — com seus chifres e pelagem característica — é a espécie central desse movimento.
O ciclo anual dos gnus no Serengeti
A sobrevivência determina a migração. As estações secas e chuvosas do Serengeti definem onde crescem as plantas nutritivas das quais os herbívoros dependem. Por isso, os animais seguem o melhor alimento disponível.
Entre os meses de janeiro e abril, os gnus se reúnem na parte sul do Parque Nacional do Serengeti para dar à luz seus filhotes. Aproximadamente meio milhão de filhotes nascem em um período muito curto. O número de adultos é bem superior e chega a 1,3 milhão de gnus na região.
Mais de 200 mil zebras e 400 mil gazelas-de-Thomson também compartilham essas pastagens. Os recém-nascidos têm tempo para ganhar força e acompanhar a manada enquanto os gnus se alimentam da vegetação, antes que a seca anual reduza o crescimento das plantas.
Quando a comida escasseia
Anderson explica ainda que os gnus provavelmente prefeririam ficar nas planícies do Serengeti o ano todo, porque a grama é de alta qualidade e rica em energia. Mas eles não conseguem permanecer quando, ao final da estação chuvosa, o crescimento da grama desacelera e eventualmente cessa.
A escassez de alimento intensifica a competição entre os herbívoros. As zebras — que pesam mais de 230 quilogramas cada — precisam de mais comida que os gnus para alimentar seus corpos maiores.
Em busca de pastagens menos consumidas pelos gnus, as zebras começam a se mover primeiro para o norte. Depois de esgotar o melhor alimento da parte sul do Serengeti, os gnus geralmente seguem para o norte em menos de quatro dias.
A travessia épica
Ao se deslocarem, os 1,3 milhão de gnus não viajam sozinhos — animais como zebras e gazelas fazem a mesma jornada de ida e volta ao lado das manadas. A jornada é moldada tanto pelo instinto quanto pela incerteza. Predadores, secas e rios que mudam de curso fazem com que nenhuma travessia do Serengeti seja idêntica à anterior.
Os gnus adultos frequentemente carregam filhotes recém-nascidos, agrupam-se e trotam juntos em busca dos vegetais mais frescos da estação. Quando pastam a grama alta, eles facilitam o acesso das gazelas a plantas mais nutritivas e beneficiam os herbívoros que os seguem.










