O jogador Richarlison está no centro de uma briga judicial por uma propriedade de luxo na Ilha Comprida, em Angra dos Reis, cujo valor ele estima em R$ 10 milhões. Em 21 de outubro, o atacante do Tottenham divulgou contratos e registros para tentar demonstrar que detém os direitos de ocupação do imóvel.
Entre os atrativos do local estão heliponto, acesso exclusivo à praia e uma queda d’água que desemboca diretamente no mar. No centro do litígio está a definição de quem tem o direito legal de ocupar esse terreno, que é de propriedade da União. Richarlison cobra a devolução do espaço, hoje sob controle de uma empresa ligada ao advogado Willer Tomaz, alvo de investigações da Polícia Federal por supostos desvios do INSS e lavagem de dinheiro.
Estrutura de luxo em meio à Mata Atlântica
A mansão tem 11 suítes, piscina e quadra de tênis, além de acesso por helicóptero. Uma faixa densa de Mata Atlântica separa o terreno do restante da Ilha Comprida e contribui para o isolamento do local na Costa Verde fluminense.
Água cristalina e isolamento natural explicam parte do interesse que a região desperta em investidores há décadas. A cantora Clara Nunes teria obtido direitos sobre essa mesma área na década de 1970, e a disputa pelo espaço se arrasta desde a morte dela, em 1983.
Como a disputa pelos direitos começou
Como o terreno pertence à Secretaria do Patrimônio da União, ninguém é dono da ilha propriamente dita. O litígio é sobre quem detém o direito de ocupar aquele pedaço específico. Richarlison sustenta ter adquirido essa concessão em 2020, em sociedade com outros investidores, somando cerca de R$ 10 milhões entre compra e reformas.
Documentos apresentados pelo jogador mostram uma sequência de negociações que remonta a 2011, enquanto Willer Tomaz baseia seus direitos em registros administrativos de 1975. Foi em 2022 que a empresa WT Administração de Imóveis e Bens S/A passou a figurar no cadastro de direitos de ocupação junto à Secretaria do Patrimônio da União.
O atleta questiona a rapidez da transferência dos direitos de ocupação para a empresa do advogado e vê nessa diferença de tratamento um indício de irregularidade no processo. Richarlison também relaciona o caso ao senador Flávio Bolsonaro, amigo de Willer Tomaz: segundo o atacante, o parlamentar chegou a demonstrar interesse em comprar a propriedade, mas teve a proposta recusada.
A empresa WT Administração de Imóveis e Bens S/A nega qualquer irregularidade e defende ter adquirido os direitos de forma legítima, enquanto o senador afirma ter apenas figurado como testemunha em um dos processos judiciais.
Publicação reacende a queda de braço
A exposição dos documentos por Richarlison respondeu a uma provocação direta de Willer Tomaz, que pedia provas públicas da compra. Em resposta, o atacante exibiu parte dos registros e reforçou, perante seus seguidores, que a transação seguiu trâmites judiciais regulares.
Na mesma manifestação, o jogador questionou a velocidade com que os direitos de ocupação acabaram transferidos para a empresa do advogado. Já no dia 19 de outubro, a Band havia informado que um grupo pedia apuração formal sobre as circunstâncias do caso, elevando a pressão sobre as partes envolvidas.
O ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, recebeu um pedido dos deputados Rogério Correia e Pedro Uczai para suspender a transferência dos direitos de ocupação. Os parlamentares apontam possíveis falhas no procedimento conduzido pela SPU e questionam a origem dos recursos usados na operação. Também pedem apuração sobre a participação das empresas envolvidas e uma eventual influência política na decisão.
Richarlison e outras pessoas ligadas à negociação devem ser chamados a depor, segundo o pedido dos parlamentares, que ainda não representa uma decisão sobre quem tem direito à área. Até a publicação desta matéria, a disputa pela posse da mansão de 11 suítes seguia sem desfecho judicial definido.
Por que a transferência à empresa de Tomaz foi mais rápida que o pedido de Richarlison
O jogador ainda apresentou documentos que mostram dois procedimentos administrativos na Secretaria do Patrimônio da União com durações diferentes. Seu pedido de regularização, aberto em setembro de 2021, ficou sem resposta por aproximadamente 10 meses.
Já o procedimento da empresa WT Administração, ligada a Tomaz, recebeu aprovação em apenas um dia, em julho de 2022. O jogador questionou essa disparidade como indício de possível irregularidade no processo administrativo.
Quando documentos apresentados publicamente não garantem direito legal
Richarlison divulgou contratos, acordos homologados pela Justiça e números de processos que, segundo ele, comprovam a aquisição do imóvel. Ainda assim, essa divulgação não equivale a uma decisão judicial que reconheça definitivamente seus direitos sobre a propriedade.
Em 2025, o Superior Tribunal de Justiça manteve uma decisão favorável à empresa WT porque considerou que o caso exigiria o reexame de provas e cláusulas contratuais. Por isso, a empresa Sport 70, ligada ao jogador, desistiu da ação, que foi extinta sem julgamento do mérito.
Qual foi exatamente o desafio que Willer Tomaz lançou para Richarlison?
No sábado, 17 de outubro, Willer Tomaz desafiou o jogador a apresentar, em 72 horas. Um documento anterior a julho de 2022 que comprovasse o vínculo de Richarlison com o imóvel, além de comprovantes de pagamento dos R$ 10 milhões investidos. O advogado prometeu transferir os direitos sobre a propriedade sem cobrar nada caso os documentos fossem válidos.
Richarlison respondeu publicando um vídeo no Instagram com números de processos judiciais e imagens de documentação que, segundo ele, atendiam as condições do desafio.










