A Suprema Corte da Louisiana, nos Estados Unidos, confirmou a anulação da condenação de Jimmie “Chris” Duncan, de 57 anos, que passou 27 anos no corredor da morte por um crime que, segundo a Justiça, foi sustentado por provas periciais comprometidas. A decisão unânime garantiu a libertação do homem após a constatação de que uma das principais evidências apresentadas no julgamento havia sido manipulada. As informações foram publicadas por O Globo, com base em reportagem da emissora norte-americana NBC News.
A reviravolta ocorreu depois que uma gravação em vídeo, incorporada ao processo pelo Innocence Project, mostrou irregularidades na produção da prova utilizada pela acusação durante o julgamento realizado em 1998.
Prova anulada pela Justiça
O vídeo revela o dentista forense Michael West pressionando repetidamente um molde dos dentes de Duncan sobre a pele da vítima para reproduzir supostas marcas de mordida. Esse material foi utilizado para embasar a acusação de homicídio e estupro que levou o júri a condenar o réu à pena de morte.
Segundo a decisão da Suprema Corte da Louisiana, a gravação havia sido ocultada da defesa durante o processo original, apesar de pedidos formais dos advogados. O material só passou a integrar o caso em 2022, quando foi apresentado pelo Innocence Project.
Ao analisar as imagens, o juiz Alvin Sharp anulou a condenação. Posteriormente, a Suprema Corte manteve a decisão ao concluir que um júri informado sobre as irregularidades dificilmente chegaria ao mesmo veredito.
O que acontece agora
A investigação teve início em 1993, após a morte de Haley Oliveaux, filha da então companheira de Duncan. Na época, os primeiros profissionais que atenderam a criança não identificaram marcas de mordida no corpo. Essa hipótese surgiu apenas durante a perícia conduzida por Michael West e pelo patologista Steven Hayne.
Anos depois, a técnica de comparação de marcas de dentes perdeu credibilidade na comunidade científica. O próprio West reconheceu, em 2012, que o método não deveria ser utilizado como prova em processos criminais.
Apesar da libertação de Duncan, o Ministério Público da Louisiana informou que pretende realizar um novo julgamento, desta vez sem utilizar a perícia baseada em marcas de mordida. Até que uma nova decisão seja tomada, o caso continuará em tramitação na Justiça norte-americana.










