Miguel Gellert Krigsner começou sua trajetória em 1977, quando abriu uma pequena farmácia de manipulação no centro de Curitiba. Hoje, ele possui R$ 35,7 bilhões em patrimônio e ocupa a 8ª posição no ranking de brasileiros bilionários da Forbes Brasil.
A fortuna cresceu R$ 1,5 bilhão em relação aos R$ 34,2 bilhões estimados no ano anterior, embora ele tenha mantido a mesma colocação no ranking. A história vai de La Paz à capital paranaense. O grupo que nasceu daquele endereço movimentou R$ 38,1 bilhões em vendas ao consumidor em 2025, reúne algumas das marcas mais conhecidas da beleza brasileira e está presente em outros 15 países. No Brasil, mantém cerca de 3700 lojas.
A origem e o caminho até Curitiba
Krigsner nasceu em La Paz, na Bolívia, em uma família marcada pela Segunda Guerra Mundial. Seus pais eram judeus que fugiram do nazismo europeu, e aos 11 anos, ele veio com a família para o Brasil, que se estabeleceria em Curitiba, cidade onde iniciou sua carreira empresarial.
Em 1975, Krigsner concluiu o curso de Farmácia e Bioquímica pela Universidade Federal do Paraná. Dois anos depois, abriu sua própria farmácia de manipulação na Rua Saldanha Marinho, no centro de Curitiba.
Do remédio ao cosmético: a percepção que mudou tudo
O nome O Boticário fazia referência aos farmacêuticos antigos, que preparavam medicamentos de forma artesanal antes da industrialização. Krigsner logo notou um padrão entre os clientes: a maioria eram mulheres que buscavam mais do que manipulações farmacêuticas tradicionais.
A partir disso, começou a criar, nos fundos da farmácia, produtos de cuidado pessoal. Entre eles estavam cremes faciais preparados com algas marinhas e colágeno, inicialmente feitos numa batedeira de bolos.
As fórmulas ganharam popularidade local. Com o tempo, a botica deixou de ser apenas um local de manipulação e se consolidou como fabricante de cosméticos em um mercado que se tornaria altamente competitivo.
A expansão por franquias e o reconhecimento nacional
A transformação decisiva veio com a aposta nas franquias, então pouco exploradas no Brasil. Krigsner foi um dos pioneiros desse modelo no país, que multiplicou os pontos de venda sem exigir que ele administrasse pessoalmente cada operação.
A estratégia levou a marca a outras cidades, e em 2010, ao lado do cunhado e sócio Artur Grynbaum, estruturou o Grupo Boticário como uma plataforma multimarcas. Hoje, o grupo reúne O Boticário, Eudora, Quem Disse, Berenice?, Beautybox, Vult e Beleza na Web, entre outras operações.
O negócio que começou como uma farmácia de bairro se tornou uma empresa de atuação nacional na indústria de beleza. Ao longo dos anos, o grupo se reinventou várias vezes, ampliou o portfólio e alcançou novos mercados, mantendo a visão do fundador.
Legado além da Cosmética
Fora do universo empresarial, Krigsner direcionou recursos para causas sociais. Em 1990, criou a Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, uma das principais iniciativas privadas de conservação ambiental do país. Atualmente, ele preside o Conselho Curador da fundação, e em 2004, criou o Instituto Grupo Boticário, voltado para iniciativas de desenvolvimento social, projetos incentivados e espaços culturais.
Em 2025, seu livro “A Essência de Empreender” venceu o Prêmio Jabuti na categoria Negócios. A trajetória de Krigsner reúne conhecimento técnico, percepção de mercado e inovação na transformação de uma pequena operação em um dos maiores grupos de cosméticos do Brasil. Aos 76 anos, ele continua ligado a uma história que conecta a fuga do nazismo à criação de um império corporativo que emprega milhares de pessoas e impacta a indústria de beleza nacional.










