O Grupo Dass encerrou de vez a produção de calçados esportivos em uma planta que chegou a empregar 1.500 pessoas na cidade de Eldorado, na província de Misiones, Argentina. No auge da operação, a fábrica entregava 22 mil pares por dia para marcas como Nike, Adidas, Fila, Umbro e Asics.
Nos últimos anos, porém, o ritmo de encomendas despencou e o quadro de funcionários encolheu para apenas 150 pessoas antes do fechamento definitivo, em julho de 2026. Sem a planta, o grupo brasileiro deixa de ter produção industrial própria em território argentino, ainda que continue vendendo seus produtos por lá.
A queda no volume fabricado já vinha sendo sentida havia tempos: a linha de produção passou dos 22 mil pares diários da fase mais forte para cerca de 2.500 unidades por jornada, o equivalente a pouco mais de 10% da capacidade máxima.
Do início modesto a polo industrial de 1.500 pessoas
Quando a operação começou, em 2007, o cenário era bem diferente. Apenas oito funcionários trabalhavam na fábrica nos primeiros meses. O quadro cresceu à medida que aumentavam as encomendas internacionais, acompanhado pela percepção de que a Argentina oferecia uma opção viável de fornecimento para toda a América Latina.
Por volta de 2015, o complexo já reunia aproximadamente 1.500 trabalhadores em três turnos e produzia 22 mil pares por dia. Nesse período, a unidade se consolidou como fornecedora de peso para Nike e Adidas, além de Fila, Umbro e Asics.
A retração gradual que levou ao encerramento
A redução do volume não ocorreu de uma vez. A companhia diminuiu os turnos conforme os pedidos das marcas caíam e, depois, fez demissões graduais para adaptar a estrutura ao novo cenário de menor demanda. O processo reduziu o quadro de 1.500 para 150 funcionários nos meses que antecederam o fechamento.
Representantes dos trabalhadores relacionaram o desfecho ao avanço das importações e à perda de espaço da indústria nacional argentina diante de produtos vindos de fora. Com a capacidade ociosa e a demanda cada vez menor, a direção do grupo optou por interromper de vez a fabricação naquele endereço.
A empresa informou que realizaria o pagamento das indenizações previstas aos profissionais desligados. Mas o impacto econômico extrapolou a fábrica: durante quase 20 anos, a operação movimentou transportadoras, fornecedores, serviços terceirizados e diferentes atividades comerciais ligadas à cadeia produtiva.
Nike, Adidas e outras marcas continuam no mercado argentino
O fim da produção em Eldorado não tira essas marcas das prateleiras argentinas, mas muda a origem dos calçados vendidos no país, que passarão a vir de outras fábricas do próprio grupo ou de importações. O impacto em Eldorado e na região de Misiones foi imediato. A cidade viu o polo industrial nascer com oito pessoas e chegar a empregar 1.500 antes de perder a estrutura que movimentou a economia local.
O Grupo Dass já havia encerrado operações em outra planta argentina, em Coronel Suárez, na província de Buenos Aires. O fechamento reforçava um padrão mais amplo de redução dos investimentos fabris da empresa na Argentina.










