Uma das principais fabricantes de produtos alimentícios do mundo, a Nestlé elevou suas compras de cacau no Brasil para diversificar fornecedores diante dos preços recordes do produto no mercado internacional. A empresa trabalha diretamente com produtores brasileiros para ampliar a produtividade das lavouras, melhorar a qualidade das amêndoas e reduzir a dependência de fertilizantes convencionais.
Os choques de oferta elevaram as cotações do cacau a níveis recordes e aceleraram a busca por novos fornecedores fora da África Ocidental, que continua como a principal origem mundial da matéria-prima. O Brasil, porém, começa a ganhar espaço nessa estratégia, já que a empresa mantém relacionamento com centenas de propriedades brasileiras onde desenvolve iniciativas de agricultura regenerativa e aumento de produtividade.
Brasil projeta crescimento de 39% em cinco anos
Para os próximos cinco anos, o Brasil prevê alcançar 400 mil toneladas de cacau, ante 287,8 mil toneladas produzidas em 2024. O aumento de aproximadamente 112 mil toneladas equivale a 39% de crescimento.
No primeiro semestre de 2026, as indústrias processadoras receberam 95,1 mil toneladas de amêndoas. 63,4% a mais que no mesmo período de 2025, segundo dados da Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau.
A transformação acontece enquanto o Brasil tenta recuperar uma posição de destaque que já ocupou na produção cacaueira mundial. Novas áreas produtoras, variedades de plantas mais resistentes e sistemas de cultivo modernos ajudam a superar a crise provocada pela vassoura-de-bruxa, doença que devastou as plantações principalmente na Bahia.
Pará lidera, Bahia acelera recuperação
O Pará consolidou-se como o maior produtor nacional, com 153,9 mil toneladas em 2024, o equivalente a 53,5% da produção total. A Bahia ficou em segundo lugar, com 111,3 mil toneladas e participação de 38,7%. O Espírito Santo produziu 12,2 mil toneladas, e Rondônia contribuiu com 8,7 mil toneladas.
A Bahia, porém, apresenta sinais de recuperação acelerada: a produção é estimada em 137 mil toneladas em 2026, alta de 15,4% em relação a 2025. Esse desempenho reforça a capacidade do país de ganhar espaço na cadeia global de fornecimento de cacau.
Ao mesmo tempo, transforma a distribuição geográfica da produção brasileira e reduz os riscos climáticos que afetam a safra no Oeste Africano.










