Uma das maioes empresas do setor automotivo do mundo, a BYD segue em plena expansão dentro do Brasil. No entanto, outra famosa marca de carros da China também está passando por um acelerado crescimeno no mercado. A Geely elevou recentemente sua meta de exportações em 23% e agora projeta enviar 920 mil veículos ao exterior neste ano.
As remessas internacionais mais que dobraram no primeiro semestre, com 474.228 unidades despachadas para outros mercados entre janeiro e junho. O resultado reforça a aposta da montadora chinesa nos mercados estrangeiros enquanto o mercado doméstico fraqueja.
Li Shufu deixou a presidência da Geely Automobile Holdings para assumir o cargo de presidente honorário vitalício. A mudança mantém sua influência na controladora Zhejiang Geely Holding Group. A transição ocorre em meio a um lucro líquido de 4,9 bilhões de yuans no segundo trimestre, alta de 36%.
Mercado doméstico fraco impulsiona crescimento das exportações
As vendas de automóveis caíram 20% na China no primeiro semestre, com projeção de retração de 14% para o ano. Esse cenário reforça a importância da exportação para manter o crescimento da companhia e compensar a fraqueza do mercado chinês.
No acumulado do semestre, o lucro total ficou em 9,09 bilhões de yuans (R$ 6,9 bilhões). Recuo de 1,8% na comparação anual, embora ainda tenha superado as projeções dos analistas. As ações da Geely Auto reagiram bem na bolsa de valores de Hong Kong, subindo 4,8% após a divulgação dos resultados e da mudança na presidência.
BYD mantém liderança na corrida externa
A ambição de crescimento esbarra na BYD, que vendeu 812.700 veículos fora da China no primeiro semestre, quase o dobro da Geely no mesmo período. A diferença expõe o atraso da rival na construção de uma rede internacional de distribuição, apesar de seu portfólio incluir elétricos e híbridos.
A marca Zeekr contribui para elevar o valor médio dos automóveis vendidos pela Geely. O SUV Zeekr 9X se tornou o modelo mais vendido na China entre os veículos que custam acima de 500.000 yuans (R$ 380.400). O preço médio da Geely avançou em 15 mil yuans (R$ 11.400), chegando a 112 mil yuans (R$ 85.200).
Produção local em múltiplos mercados
A montadora firmou acordo em julho para utilizar a capacidade disponível da fábrica da Ford em Valência, na Espanha, e expandir a fabricação fora da China. No Brasil, a parceria com a Renault deve viabilizar a produção local do crossover EX5 e do hatch EX2, conhecido como Xingyuan no mercado chinês. A adaptação da fábrica paranaense para produzir Geely levou 33 dias e envolveu 2,5 mil profissionais. A demanda pelo EX2 ultrapassou as expectativas e antecipou a produção brasileira para este ano.
A Geely fechou contrato com a fabricante brasileira de baterias Moura como fornecedora, enquanto os pneus devem vir da chinesa LingLong. O EX2 foi o carro elétrico compacto mais vendido do mundo em 2025.
A estratégia combina exportações maiores, produtos de maior valor agregado e fabricação fora da China para reduzir a dependência do mercado doméstico e encurtar a distância que a BYD abriu na disputa internacional.










