A estadunidense Genelle Guzman McMillan foi puxada dos destroços do World Trade Center cerca de 27 horas depois do colapso ocorrido no dia 11 de setembro de 2001. Ela foi a última sobrevivente daquele ponto da tragédia a ser resgatada com vida e 25 anos depois, contou à revista People como uma voz na escuridão a ajudou a resistir até a chegada dos socorristas.
Na manhã do ataque, Genelle tinha 30 anos e trabalhava para a Autoridade Portuária no 64º andar da Torre Norte. Ao perceber o segundo impacto, na Torre Sul, decidiu descer pelas escadas com a colega Rosa, mas parou no 13º andar porque o salto alto lhe causava dor.
O momento do colapso
Parada ali para trocar de calçado, ela foi atingida pelo desabamento da estrutura. Segundo relatou, tudo ruiu de uma vez, deixando-a presa sob concreto e ferro, sem conseguir se mover. Durante 27 horas, ela permaneceu soterrada, com o corpo perfurado por pedaços de aço e a mente alternando entre a lucidez e algo parecido com um sonho. Ela contou que chegou a duvidar de que aquilo era real e temeu que ninguém a encontrasse ali.
Uma voz vinda do nada
A poeira grudada na boca e no nariz a impedia de gritar por ajuda, mesmo enquanto ouvia caminhões, rádios e vozes de socorristas próximos. Pensando na filha Kimberly, então com 12 anos, ela recorreu à oração quando sentiu que a morte se aproximava.
Nesse momento, segundo seu relato à revista, uma presença surgiu, identificou-se como Paul e prometeu ficar com ela até o resgate chegar. Ela disse ter sentido a mão dele segurando a sua e ouvido a promessa de que não seria abandonada ali.
A recuperação e o casamento
A recuperação deixou marcas graves, entre elas uma perna esmagada que quase precisou ser amputada, e exigiu meses de tratamento hospitalar. Roger McMillan, namorado dela na época, acompanhou cada etapa e teve papel central nesse período.
Ainda internada, Genelle propôs que os dois se casassem assim que recebesse alta do hospital. A cerimônia aconteceu em 7 de novembro daquele mesmo ano, em meio ao trauma da tragédia.
Roger, hoje aos 58 anos, lembrou que, depois de viverem tão de perto a possibilidade de perdê-la, os dois aprenderam a valorizar cada momento juntos. Ele também disse que Genelle carrega desde então o que descreveu como um “remorso de sobrevivente”: questiona-se por que seus colegas de trabalho morreram enquanto ela sobreviveu.










