Ingressar na faculdade pode ser um desafio para muitas pessoas que estudam diariamente para vestibulares e para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Este foi o caso de José Gitirana e de sua filha, Daphne, em 2017. A época com 46 anos, e 20 anos, pai e filha, respectivamente, conseguiram estudar juntos para ingressar no ensino superior em medicina.
José voltou a perseguir esse sonho após a filha encerrar o Ensino Médio, ainda em meados de 2014. Foi naquele ano que os dois se preparam juntos para o Exame Nacional do Ensino Médio, com rotinas distintas e a mesma meta. O pai trabalhava como farmacêutico Belém e dedicava as noites e os fins de semana aos livros. Já a filha escolheu estudar em tempo integral e contava com o apoio dos pais.
O projeto adiado por necessidade financeira em Medicina
José sempre sonhou em cursar Medicina, mas as condições financeiras da família o levaram a escolher outro caminho logo após o Ensino Médio. Ele optou por um curso técnico de enfermagem para começar a trabalhar e se sustentar. Assim, adiou o projeto que o acompanhava há anos e trabalhou nessa área por 20 anos sem abandonar o antigo desejo.
Tentou o vestibular para Medicina três vezes, mas não conseguiu aprovação. Diante das limitações de tempo, decidiu cursar Farmácia. Ingressou em 1999 e se formou em 2004.
O retorno do sonho após uma década
Em 2016, mais de dez anos depois de se formar e já consolidado na profissão de farmacêutico, José decidiu prestar o Enem. Mesmo sem preparação específica para o exame, seu desempenho reacendeu o antigo projeto de ingressar em Medicina.
A experiência profissional ajudou José a definir com clareza o que deseja para o futuro. “Só vou sossegar quando eu for médico, pois estou determinado”, declarou o pai de Daphne após a repercussão do seu caso. Ele afirmava que agora podia contar com maturidade e experiência suficientes para saber o que realmente deseja. Por isso, voltou a estudar para tentar novamente uma vaga no curso com que sempre sonhou.
Trajetória da filha rumo ao mesmo objetivo
Daphne também enfrentou um caminho repleto de tentativas, e desde que terminou o Ensino Médio, em 2014, ela tenta ingressar em Medicina. Passou por outros cursos no processo, como Veterinária, Fisioterapia e Farmácia, sem abandonar seu foco principal.
Já em 2017, ela decidiu combinar um cursinho tradicional com videoaulas on-line para reforçar o conteúdo do exame. O apoio familiar foi decisivo para que não desistisse do objetivo. Ter o pai como colega de estudos deu a Daphne mais estímulo, e para ajudar o pai, começou a compartilhar seus livros com ele.
Estratégias de estudo e trocas que fortalecem o aprendizado
Apesar do mesmo foco, pai e filha adotaram abordagens diferentes. José escolheu reservar as noites e fins de semana para revisar conteúdo e resolver exercícios, priorizando videoaulas on-line para poder assistir de qualquer lugar sem perder tempo com deslocamento.
Daphne, por sua vez, combinou as aulas do cursinho com videoaulas e a resolução de provas anteriores do Enem. Os temas de redação, no entanto, tomaram o foco entre os assuntos mais debatidos nessas sessões de estudo realizadas entre pai e filha. Os dois também dedicaram tempo à resolução de exercícios de outros vestibulares para complementar a preparação.
A estratégia desenvolvida pelos dois foi: identificar as disciplinas mais difíceis e concentrar esforço extra: Daphne possuía mais dificuldade em Física, enquanto José enfrentava desafios com Filosofia e Sociologia. José procura contextualizar as matérias estudadas. Segundo ele, essa é a principal diferença entre o Enem e os vestibulares de antigamente. Para o farmacêutico, o exame leva o aluno a raciocinar em um contexto atual, enquanto antes a tendência era decorar as respostas.
José chegou a reconhecer ainda, que a filha estava mais avançada na preparação porque dedica mais tempo aos estudos. Ainda assim, afirmou que caso fosse aprovado e Daphne ficasse em uma lista de espera, optaria por ceder sua vaga.
Casos como esse denotam que o estudo e o aprendizado podem ser retomados a qualquer momento. Seja para ingressar em um ensino superior, ou, para concluir a qualificação do ensino médio, como é o caso da Educação de Jovens e Adultos (EJA).










