As cicatrizes visíveis no peito e no pescoço de Carlos Tevez têm origem em um episódio ocorrido ainda nos primeiros meses de vida do jogador. Nos dias de hoje ele é um dos nomes mais celebrados por corintianos e boquenses, porém, um episódio na sua infância por pouco não custou sua vida.
Ao longo de 16 temporadas como profissional, Tevez balançou as redes quase 300 vezes, número que convive com a lembrança de um acidente doméstico grave: ainda bebê, com apenas dez meses, puxou uma chaleira cheia de água fervente e se queimou ao virá-la sobre o próprio corpo.
Os tios tentaram socorrê-lo envolvendo-o numa manta de náilon, mas o contato piorou o ferimento e tornou as cicatrizes definitivas.
As cicatrizes de Carlos Tevez
O contato do tecido sintético com a pele queimada agravou as lesões no peito e no pescoço do jogador. Em entrevista ao jornal espanhol “Marca”, ele afirmou nunca ter cogitado realizar uma cirurgia para removê-las.
Segundo Tevez, encarar o espelho e enxergar essas marcas funciona como lembrete de sua origem e da identidade que construiu ao longo da carreira. O atacante revelou ter feito terapia por meses, mas não recorda do acidente porque era muito pequeno na época.
Uma infância cercada por perdas
A queimadura foi apenas o primeiro golpe de uma trajetória marcada por ausências. A mãe biológica abandonou o menino quando ele tinha seis meses de idade, e o pai nunca chegou a ser conhecido pelo garoto.
Durante uma tentativa de assalto a uma cafeteria, a polícia matou o pai de Tevez com 23 tiros. Ele descobriu esse fato aos 5 anos de idade. Criado pelos tios em Fuerte Apache, um conjunto habitacional periférico de Buenos Aires, Tevez viu amigos de infância se perderem para o crime e as drogas, fatos que geraram uma série sobre esse período de sua vida.
Da tragédia pessoal à consagração no futebol
Já na Seleção Argentina sub-17, Tevez perdeu Darío Coronel, amigo de infância, atingido por tiros da polícia enquanto participava de um roubo a uma casa de bingo. Ainda assim, ele construiu uma carreira vitoriosa no Boca Juniors e no Corinthians antes de se firmar na Europa.
Defendeu a seleção argentina nas Copas do Mundo de 2006 e 2010 e vestiu as camisas de West Ham, Manchester United, Manchester City e Juventus. No Shanghai Shenhua, da China, passou a receber 38 milhões de euros anuais (R$ 144,7 milhões), um dos maiores salários do futebol. Mas foi afastado do time por estar acima do peso.
Retorno ao Boca e despedida do clube
Rumores de uma volta ao Boca Juniors ganharam força após a passagem pela Ásia, e o clube argentino o trouxe de volta em meados de 2018. Tevez deixou o Boca em 2021, antes do fim de um contrato que terminaria naquele ano. A morte do pai adotivo, ocorrida três meses antes, pesou na decisão de se afastar do clube.
O ex-jogador afirmou que não pretende voltar a jogar pelo Boca, mas deixou em aberto a possibilidade de atuar em outra função dentro da instituição que o revelou. Atualmente ele treinador do Talleres, clube que disputa a primeira divisão argentina.










