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Durante 26 anos, fóssil foi considerado o polvo mais antigo do mundo, até cientistas contarem seus dentes e descobrirem outro animal

Por Milton Filho
20/09/2026
Fóssil considerado polvo antigo mundo

Foto: Brett Sayles/Pexels

Pesquisadores internacionais reanalisaram o fóssil de 300 milhões de anos conhecido como Pohlsepia mazonensis e constataram que ele pertence a uma linhagem diferente da dos polvos. O achado guardava esse segredo havia mais de duas décadas.

A peça, extraída no estado de Illinois, nos Estados Unidos, e descrita originalmente em 2000, havia sido catalogada como o espécime mais primitivo de polvo já encontrado. Estruturas que lembravam braços, nadadeiras e até um possível saco de tinta levaram os cientistas da época a essa conclusão.

A classificação, porém, sempre levantou dúvidas: ela antecipava em cerca de 150 milhões de anos o surgimento conhecido dos polvos e nunca pareceu sólida para a comunidade científica.

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Dentes minúsculos revelam a verdade

A mudança veio de um método de análise preciso. A luz síncrotron (feixes intensos usados para examinar o interior de materiais sem danificá-los) permitiu visualizar estruturas invisíveis a olho nu dentro da rocha.

Aplicada ao fóssil, a técnica revelou uma rádula, estrutura dentária característica de moluscos. Os pesquisadores contaram cerca de 11 dentes em cada fileira da rádula. Polvos conhecidos têm entre 7 e 9, enquanto os nautiloides — grupo de cefalópodes que ainda vive — possuem cerca de 13. O padrão encontrado no fóssil se alinhava muito mais com os nautiloides.

Reescrita da história evolutiva

Essa reclassificação corrige um erro de catalogação e altera o que se sabe sobre quando esses animais surgiram e como evoluíram. Ao retirar o espécime da linhagem dos polvos, desaparece uma das evidências que sustentava uma origem muito antiga para esse grupo.

Ganha credibilidade a hipótese de que os polvos surgiram apenas no período Jurássico, muito mais recentemente do que se supunha. A divergência entre eles e parentes próximos, como as lulas, teria ocorrido durante a era Mesozoica, e não milhões de anos antes, como se acreditava.

O fóssil não perde importância nessa reinterpretação. Ele passa a ser o registro mais antigo conhecido de tecido mole de um nautiloide, cerca de 220 milhões de anos mais antigo que o anterior.

Tecnologia revendo o passado

O caso mostra como ferramentas modernas podem reexaminar conclusões que pareciam consolidadas na ciência. Um detalhe microscópico — fileiras de dentes ocultas na rocha por 300 milhões de anos — mudou o entendimento sobre a evolução desses cefalópodes. Os resultados foram publicados em 8 de abril deste ano na revista Proceedings of the Royal Society B.

Thomas Clements, autor do estudo, explicou que o fóssil nunca havia sido um polvo, mas um parente do náutilo que estava em decomposição havia semanas quando foi enterrado e preservado nas rochas. A decomposição fez o fóssil parecer um polvo, e clements também destacou que novas técnicas podem revelar pequenas pistas em fósseis controversos e levar a descobertas empolgantes.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Milton Filho

Milton Filho

Jornalista, sergipano e coautor do livro 'Memórias do Esporte Clube Vitória: a história rubro-negra contada por seus personagens'

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