Uma das maiores empresas do varejo de moda do Brasil, a Riachuelo possui mais de 400 estabelecimentos espalhados pelo país. No entanto, o que hoje é um negócio bilionário, começou como uma pequena ainda na década de 1940.
Aos 84 anos, Nevaldo Rocha comandava a maior cadeia integrada de fast-fashion do Brasil, que operava a partir de Natal, no Rio Grande do Norte. No estado, ocorrem eventos culturais e econômicos significativos durante todo o ano.
A Guararapes Confecções, controladora da Riachuelo, administrava um negócio avaliado em cerca de R$ 7 bilhões e conhecido internacionalmente como a Zara Brasileira. Segundo a Forbes, o empresário quebrou um paradigma: até então, os bilionários brasileiros vinham principalmente de setores como minério de ferro, aço, petróleo e bancos.
A explosão do fast-fashion criou oportunidades para empreendedores que capturassem o desejo por vestuário acessível, colorido e estampado. Esse movimento abriu as portas de um clube fechado para empresários fora das indústrias pesadas e do setor financeiro.
Nevaldo Rocha transforma loja de tecidos em império da moda
Tudo começou em 1947, quando Rocha abriu a loja A Capital, em Natal. O grande salto aconteceu em 1979, quando comprou a rede de lojas de tecidos Riachuelo e a transformou em uma rede de lojas de departamento de grande porte no Brasil. A empresa pesquisa, desenha, produz, distribui, comercializa e financia vestuário em quase 200 endereços pelo país.
Rocha integrou o modelo de negócio — pesquisa, design, produção, distribuição e varejo. Quando o ranking foi divulgado, ele figurava como o único bilionário brasileiro do segmento de moda medido em dólares, com patrimônio de US$ 3 bilhões. Os controladores da Guararapes ocupavam a 458ª posição global e a 18ª entre os brasileiros quando o ranking foi divulgado.
Controle absoluto sobre as operações
Apesar da idade avançada, Nevaldo Rocha mantinha controle absoluto sobre as operações do grupo. Diariamente, às 8h30, ele se dirigia à fábrica, na cidade de Extremoz, e só deixava a unidade ao final do expediente. Era ele quem definia os preços dos 300 produtos lançados semanalmente pela Riachuelo.
Segundo Flávio Rocha, “quando tentamos fazer algo que a gente acha que ele não vai concordar, ele fareja a história a 3 mil quilômetros de distância” e pede que as estratégias sejam executadas de forma diferente. Toda a diretoria voava mensalmente para Natal e apresentava os acontecimentos ao patriarca, que frequentemente solicitava mudanças nas decisões já tomadas.
A geração seguinte e a visão de crescimento
Seu filho Flávio Rocha atuava como presidente da Riachuelo e vice-presidente da Guararapes, trazendo ousadia aos processos da empresa. Na presidência do Instituto para Desenvolvimento do Varejo, Flávio argumentava que, há 30 anos, uma indústria gerava mais empregos que 30 varejistas.
Hoje, o cenário é oposto. Flávio acreditava que o mercado de vestuário brasileiro ainda estava muito diluído. Nenhuma rede possuía mais de 1,5% de um mercado que comercializava 9,8 bilhões de peças por ano. As maiores redes vendiam no máximo 120 milhões de peças anuais.
Ele calculava que em alguns anos alguém teria 10% desse mercado. Isso termina podendo ser a Riachuelo, Renner, C&A ou outra rede com força para consolidar a posição.
Recusa de venda e foco no crescimento
Abilio Diniz, então à frente do Pão de Açúcar, propôs uma associação para criar a “Via Varejo da Moda”, modelo similar ao usado com Ponto Frio e Casas Bahia. Após conversas, Rocha decidiu seguir carreira solo.
Como sua empresa seguia em rota ascendente, o empresário resolveu não aceitar essa e outras propostas de sociedade e manteve o foco no crescimento independente. Esse modelo se alinhava à estratégia traçada por Amancio Ortega, magnata da Zara, que também optou pela integração vertical para dominar o mercado. A integração fez com que fábricas se comunicassem diretamente com lojas, sem intermediação.
Legado de um bilionário da Moda
Nevaldo Rocha faleceu em 2020, aos 91 anos, deixando um legado que transformou a indústria da Moda. Sua presença ao lado de magnatas como os controladores da Zara. Marcas como H&M, Gap, Benetton e Forever 21 consolidaram a posição da Riachuelo entre os maiores impérios de vestuário do mundo. A empresa que começou como uma pequena loja de tecidos em Natal evoluiu para um negócio de R$ 7 bilhões.
A lista de bilionários da Forbes reunia 1.426 pessoas e somava US$ 5,4 trilhões em fortunas em todo o mundo. O modelo de negócio verticalizado criado por Rocha continua influenciando estratégias de crescimento no segmento de moda.










