Os custos elevados de produção e a abertura do mercado argentino a veículos importados levaram a Stellantis (dona de marcas como Fiat, Jeep, Peugeot e Ram) a cogitar o fechamento de duas fábricas no país vizinho. Herlander Zola, presidente da companhia na região, admitiu que as duas plantas vivem um momento difícil e disse que nenhuma definição sobre o destino delas foi fechada até o momento.
Um dos fatores que pioram o cenário argentino é o valor pago em mão de obra, duas vezes maior do que o praticado no Brasil. Faltam também fornecedores locais em número suficiente, o que faz com que grande parte dos componentes usados na produção argentina venha de território brasileiro.
Zola afirmou que a abertura do mercado argentino tirou a indústria local da competição com os veículos importados e criou um cenário de incerteza para as operações locais.
As duas unidades em risco na Argentina
A situação dessa unidade é a mais delicada, segundo Zola, pois os hatchbacks enfrentam mais dificuldade para competir com importados. As picapes conseguem competir melhor com veículos importados, o que favorece essa planta. Apesar da possibilidade de fechamento, o grupo mantém investimentos previstos para a Argentina.
O motor abastecerá as picapes produzidas na Argentina e também será enviado ao Brasil, país onde equipa modelos como a Fiat Toro e o Jeep Commander.
Brasil também enfrenta incertezas
Embora responda por 65% do volume de vendas da Stellantis na América do Sul, o Brasil também preocupa o grupo. Zola apontou que a falta de clareza nas regras do setor automotivo dificulta decisões sobre investimentos futuros. Sobretudo diante do avanço de fabricantes chinesas no país e da possibilidade de importar veículos prontos ou montá-los a partir de kits.
O executivo indicou que a disputa eleitoral entre Lula e Bolsonaro passou a ser considerada pela companhia como um fator que pode pesar nas decisões sobre a produção na região. Para Zola, falta previsibilidade sobre como o Brasil protegerá a indústria instalada e sobre as condições que oferecerá às marcas que ainda dependem de componentes importados. Isso dificulta decisões industriais na América do Sul.










