Corumbá, no Mato Grosso do Sul, tem mais jacarés do que pessoas. A população de répteis na região chega à casa dos milhões, enquanto o número de habitantes humanos não passa de 90 mil. A cidade é considerada uma das maiores concentrações desses animais no mundo e serve de porta de entrada para o Pantanal.
A explicação para esse desequilíbrio está na geografia do município. Com mais de 64 mil quilômetros quadrados, Corumbá é o 11º maior município do Brasil em extensão territorial, uma área maior do que países como a Eslovênia e a Suíça. Toda essa planície inundável oferece condições ideais para a reprodução e sobrevivência dos jacarés às margens do bioma.
Jacarés pelas ruas
A proximidade com as áreas alagadas faz com que os jacarés apareçam no perímetro urbano com certa frequência. Há registros de animais circulando por vias públicas e até entrando em quintais de residências. As aparições acontecem principalmente durante as cheias do rio ou quando os répteis precisam se deslocar entre lagoas e braços d’água próximos.
Apesar da presença constante dos animais, os moradores mantêm uma convivência pacífica com a espécie. A prática comum da população local é não interferir nos habitats naturais nem nas áreas alagadas ao redor da cidade. Esse distanciamento ajuda a manter o equilíbrio do ecossistema e evita confrontos.
Turismo movimentado pela fauna
Os jacarés também são o principal atrativo turístico de Corumbá. A observação da fauna pantaneira movimenta guias, agências e hotéis da região ao longo de todo o ano. Visitantes de diferentes partes do Brasil e do exterior chegam à cidade para registrar de perto a natureza do Pantanal, com os répteis como ponto central das excursões.
O turismo gerado pela vida selvagem se tornou um dos pilares da economia local, sustentando a atividade comercial e hoteleira do município em um ciclo que depende diretamente da preservação do ambiente natural.










