Há mais de um século, cientistas identificaram, nas florestas tropicais de Papua-Nova Guiné, a Rainha Alexandra Birdwings, a maior borboleta do mundo. A espécie é tão rara que se tornou símbolo de homenagem à rainha consorte britânica Alexandra, esposa do rei Eduardo VII, e continua a fascinar pesquisadores e a desafiar conservacionistas.
O primeiro exemplar foi coletado em 1906 pelo naturalista Albert Stewart Meek durante uma expedição financiada pelo banqueiro e político britânico Walter Rothschild. Desde então, a espécie se mantém entre as borboletas mais valiosas e ameaçadas do planeta e enfrenta catástrofes naturais, destruição de habitat e mercado ilegal.
Tamanho recorde e forte diferença entre machos e fêmeas
A diferença entre machos e fêmeas nessa espécie é tão acentuada que parecem pertencer a grupos distintos. Os machos atingem até 19 centímetros de envergadura. Apesar do tamanho menor, têm cores vibrantes: asas verde-elétricas e água-marinha e abdômen amarelo brilhante.
Já as fêmeas exibem tons marrons e terrosos, mas têm a maior envergadura da espécie: chegam a 31 centímetros e são a maior borboleta conhecida.
Esse tamanho também acompanha um ciclo vital mais longo. Enquanto a maioria das borboletas vive um mês, a Rainha Alexandra pode chegar a três meses, tempo suficiente para garantir a reprodução e a continuidade da linhagem.
Defesa através da alimentação tóxica
Logo após o nascimento, as larvas se alimentam exclusivamente de folhas da Pipevine, uma planta venenosa. Com isso, os insetos acumulam toxinas no organismo e se tornam praticamente imbatíveis para predadores como pássaros e outros animais. A alimentação funciona como mecanismo de proteção inato.
Essa estratégia de defesa permite que a espécie adquira proteção química contra ataques. O padrão de cores terrosas das fêmeas reforça essa proteção ao funcionar como camuflagem nas florestas onde vivem.
Pressões múltiplas rumo à extinção
Eventos naturais e ação humana combinaram-se para ameaçar a sobrevivência da Rainha Alexandra. Em 1951, a erupção do vulcão Monte Lamington destruiu extensas áreas de habitat natural onde a borboleta vive e se reproduz.
Mas a expansão da indústria do óleo de palma agravou a ameaça: em Papua-Nova Guiné, o crescimento do setor substituiu florestas nativas por plantações de palmeiras e deixou as borboletas sem fontes de alimento.
A raridade da espécie criou um terceiro problema: o comércio ilegal. Um levantamento registrou apenas 21 adultos em uma área específica durante três meses em 2008. O número indica a fragilidade da população selvagem.
Esse conjunto de ameaças — perda de habitat, catástrofes geológicas e pressão de coleta — levou a União Internacional para a Conservação da Natureza a classificar a Rainha Alexandra como espécie ameaçada de extinção.
Outras gigantes que competem pelo título
Embora a Rainha Alexandra mantenha o recorde, outras duas borboletas se aproximam desse tamanho. A Borboleta Atlas chega a 30 centímetros de envergadura, e as fêmeas são maiores que os machos.
A Borboleta Atlas voa com pouca eficiência e não possui aparelho bucal funcional. Por isso, passa os poucos dias de vida apenas se reproduzindo, sem se alimentar.
A Borboleta Imperador também se aproxima dos 30 centímetros, mas voa com força e agilidade. Em alguns habitats, é frequentemente confundida com pássaros e morcegos em movimento. Essa aparência ajuda a escapar de predadores pela ilusão de um tamanho maior.










