Por volta das 3h20 do dia 13 de outubro, um indivíduo foi flagrado por câmeras de segurança no momento em que se aproximava da réplica da Estátua da Liberdade mantida pela Havan no bairro Pitimbu, zona sul de Natal. Ele usava capacete e portava um spray, utilizado para escrever no pedestal da estrutura os dizeres “Sem anistia Lula 13”.
Segundo a Havan, todo o episódio não chegou a durar um minuto. A empresa disse ainda que já registrou boletim de ocorrência e repassou as gravações às autoridades policiais para apurar quem é o responsável.
Recompensa oferecida por informações
Hang ofereceu uma recompensa de R$ 10 mil a quem fornecesse informações que levassem à identificação do autor e disponibilizou um telefone de contato na publicação.
Hang classificou o episódio como vandalismo e atribuiu a pichação à militância de esquerda, embora a identidade do responsável. E um eventual vínculo com partido ou organização política não tivessem sido confirmados nas informações divulgadas.
Comparação com episódio em São Paulo
Hang ainda associou o ocorrido em Natal a prejuízos e pichações registrados dias antes em uma estação do metrô paulistano na avenida Paulista, alvo de depredações após o ato político de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva realizado no domingo, 11 de outubro.
O caso registrado em São Paulo acabou também sendo usado para espalhar informação falsa: uma foto de uma mulher negra fazendo a limpeza das pichações na estação Trianon-Masp circulou modificada por inteligência artificial, divulgada pelo canal “Tropa do Flávio”, vinculado à campanha de Flávio Bolsonaro, conforme informou o UOL.
As checagens do UOL Confere identificaram a manipulação, e houve pichações reais na estação, mas a imagem específica da trabalhadora não era um registro autêntico da limpeza.
A identidade de quem pichou a réplica em Natal seguia desconhecida até a divulgação das imagens, e esperava-se que novas informações surgissem a partir do contato oferecido ao público.
Por que empresários usam comparações para enquadrar o incidente
O dono da Havan não se limitou a relatar o vandalismo em Natal: buscou conectá-lo ao episódio ocorrido dias antes na Avenida Paulista, em São Paulo, após uma manifestação política. A comparação enquadra o fato em um padrão mais amplo e sugere que se trata de uma ação sistemática ligada a um movimento político.
Com isso, o empresário apresenta uma interpretação do episódio, embora as informações divulgadas não confirmassem a identidade nem os vínculos políticos do responsável em Natal.
Quando este ato é considerado vandalismo?
Embora Luciano Hang tenha classificado o ato como vandalismo, o termo não resolve a questão central: sem confirmar quem fez a pichação. Não é possível afirmar se houve vínculo com algum movimento ou organização política.
O vandalismo é a ação documentada, e a motivação ideológica e a filiação política são interpretações não comprovadas pelas imagens ou pelas informações disponíveis naquele momento. O rótulo jurídico, portanto, não substitui a investigação das circunstâncias do ato.










