A elefanta africana Julie iniciou uma nova etapa da vida ao ser transferida para o Pangea Elephant Sanctuary, na região do Alentejo, em Portugal. A mudança, concluída em 30 de junho, encerra cerca de 40 anos de atuação do animal em circos e também marca o fim da presença de elefantes em espetáculos circenses no país. As informações foram divulgadas por organizações responsáveis pelo santuário e repercutidas pela imprensa portuguesa.
A transferência ocorreu em cumprimento à legislação aprovada em Portugal em 2018, que proibiu o uso de animais selvagens em apresentações de circo. A norma estabeleceu um período de adaptação para que os animais fossem retirados gradualmente desses espetáculos.
Novo lar de Julie
O Pangea Elephant Sanctuary ocupa uma área de aproximadamente 400 hectares entre os municípios de Vila Viçosa e Alandroal, no Alentejo. O espaço foi criado em uma antiga fazenda e passou por um processo de recuperação ambiental para receber elefantes resgatados de circos e zoológicos europeus.
Julie foi a primeira moradora do local, que futuramente deverá abrigar entre 20 e 30 elefantes. No santuário, ela poderá caminhar por longas distâncias, buscar alimento na vegetação e tomar banhos de água, terra e lama, comportamentos naturais que eram limitados durante os anos de cativeiro.
A administração do espaço informou que a estrutura será ampliada gradualmente para receber novos animais à medida que as áreas de convivência forem concluídas.
Fim da vida no circo
Antes da transferência, a equipe responsável realizou meses de preparação para que Julie entrasse voluntariamente na caixa de transporte. Durante toda a viagem, veterinários e tratadores acompanharam o animal para reduzir o estresse, evitando o uso de sedativos sempre que possível.
A história de Julie começou ainda na década de 1980, quando foi capturada na África ainda filhote e levada para um zoológico na Alemanha. Em 1988, passou a integrar o circo Victor Hugo Cardinali, onde permaneceu por décadas.
Com a chegada ao santuário, Portugal conclui a retirada de elefantes dos circos, encerrando um processo iniciado após a aprovação da legislação que proibiu o uso de animais selvagens nesse tipo de espetáculo.










