Um porteiro de 64 anos trocou a rotina de abrir portões pela sala de aula e conquistou o diploma de Direito na mesma instituição onde trabalha, no Espírito Santo. Esse foi o caso de Darlivan Caetano, que ganhou notoriedade em noticiários no ano de 2022.
Darlivan passou 36 anos sem estudar antes de ter contato novamente com os livros. Nascido em uma família humilde de sete filhos na periferia de Serra, no Espírito Santo, enfrentou dificuldades na juventude como o vício em drogas e álcool que o afastou de um rotina de estudos e do emprego público que tinha como servidor concursado.
De acordo com seu próprio relato, ele virou morador de rua, desenvolveu cirrose e teve problemas graves de saúde. “Eu virei até mendigo, tive cirrose e fiquei louco”, disse Darlivan na época. “Quando eu descia o morro dando risada, o pessoal falava que eu já era. Caí no fundo do poço”, confessou.
Porteiro que retomou os estudos e se formou em direito
A retomada dos estudos começou em 2007, quando ele conseguiu o emprego de porteiro na Rede Doctum de ensino. O contato diário com o ambiente universitário o motivou a voltar a estudar.
Enquanto observava o vai e vem dos alunos na faculdade, Darlivan decidiu retomar os estudos, e em 2011, voltou à sala de aula para cursar o ensino médio em uma turma de Educação para Jovens e Adultos (EJA)
Com o apoio de colegas de trabalho e estudantes da faculdade, ele conseguiu se inscrever no curso de Direito. Como funcionário da instituição, conseguiu desconto na mensalidade e usava os intervalos do trabalho para estudar.
Formação e novos horizontes
Darlivan se formou em 2017, aos 59 anos e se tornou o primeiro entre seus sete irmãos e sete filhos a concluir uma graduação. Depois do diploma em Direito, ainda concluiu três pós-graduações.
Após o término do cursos, ele passou a manter um pequeno escritório virtual de consultoria e seguiu atuando como porteiro na faculdade onde se formou. Apesar de ter concluído o curso, o porteiro chegou a declarar que seu objetivo era continuar estudando, especializar-se e conquistar melhores condições para a família.
Além disso, ele tinha como meta passar nos exames da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), para garantir estabilidade aos netos, bisnetos e irmãos.










