Uma equipe de exploração encontrou no fundo do Mar Mediterrâneo os vestígios de Portus Magnus, antigo porto romano engolido pelo litoral há mais de 1600 anos. A descoberta expôs colunas, estátuas e trechos de construções que permaneceram cobertos por sedimentos e revelou partes inteiras de uma estrutura urbana que recebeu embarcações vindas de várias regiões do mundo antigo.
Templos, moedas e peças de cerâmica apareceram junto às ruínas do local, formando um conjunto raro sobre o cotidiano daquela população.
O caminho até o afundamento do porto
Terremotos sucessivos e tsunamis atingiram a região e mudaram a paisagem costeira aos poucos. O solo cedeu em vários pontos, um fenômeno conhecido como liquefação, levando bairros e construções inteiras para debaixo do mar.
Com o passar dos anos, o mar também foi subindo aos poucos, e o que antes eram inundações temporárias causadas por tempestades acabou virando uma condição definitiva para aquelas áreas. Com o tempo, o litoral comercial deu lugar a um extenso cenário de ruínas cobertas pela água salgada.
O retrato do cotidiano revelado pelas ruínas
Estruturas portuárias imponentes indicam que navios e mercadorias circulavam intensamente e abasteciam a região com produtos de várias partes da civilização mediterrânea. Esse comércio sustentava a economia local e explicava a grandeza da antiga Portus Magnus.
Estátuas gigantescas de faraós e divindades em granito, moedas de ouro e peças de templos com inscrições históricas vieram à tona durante os trabalhos. Juntas, essas peças permitem reconstruir aspectos da religião, da política e do comércio que movimentavam aquela sociedade romana.
As ferramentas usadas na exploração
Equipes utilizam mapeamento geofísico com magnetômetros e sonares de varredura lateral para localizar com precisão formações anômalas escondidas sob a areia do fundo do mar. A tecnologia direciona os mergulhadores para pontos exatos, reduzindo o tempo gasto em buscas às cegas.
Após a identificação inicial, equipes fazem escavações cuidadosas com sugadores de água para remover a areia sem danificar as peças antigas. A fotogrametria digital e a modelagem em três dimensões registram cada artefato em detalhe antes de qualquer remoção.
Por ficarem livres do contato com oxigênio, enterrados na areia, peças de metal e material orgânico escaparam da deterioração e chegaram aos dias atuais em condições muito próximas às originais.
Pesquisas como essa seguem trazendo à tona capítulos esquecidos de centros urbanos que o mar engoliu, e o cuidado com esses vestígios é o que permite às próximas gerações entender tanto a capacidade humana de se reerguer quanto as mudanças sofridas pelo planeta, incluindo novos detalhes sobre as rotas comerciais que deram forma ao Mediterrâneo antigo.










