O cantor Sérgio Reis vendeu todas as fazendas que mantinha nos estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul e liquidou o rebanho de gado de corte que chegava a mais de 3 mil cabeças. Aos 86 anos, o sertanejo encerrou um ciclo de décadas dedicado ao agronegócio por não conseguir mais acompanhar de perto a rotina das propriedades.
Nascido em São Paulo, Sérgio Reis foi revelado como um dos nomes fortes da Jovem Guarda nos anos 1960. O artista transformou o dinheiro ganho com a música em terras e cabeças de gado no Centro-Oeste. Em depoimento ao canal Fatos Rurais, ele disse que administrar bens rurais exige presença constante, algo incompatível com a agenda de shows e gravações.
Um negócio de pecuária, não um hobby
O rebanho formado por gado Nelore era mantido em sistema de pastagem e não servia apenas como refúgio de fim de semana. Sérgio Reis fornecia animais a frigoríficos da região e chegou a construir reputação própria no meio agropecuário, longe dos palcos.
Uma das áreas, situada perto de Cuiabá, ainda guardava uma curiosidade: depósitos de minério de ouro foram encontrados no local, o que ampliou o valor do patrimônio acumulado pelo artista ao longo dos anos.
A distância que pesou na decisão
Com compromissos espalhados pelo país, o cantor via crescer o desafio de supervisionar pessoalmente o manejo dos animais e a rotina das fazendas. Milhares de quilômetros separavam os palcos das áreas rurais, e essa distância acabou pesando na hora de decidir pela venda.
Ele reconheceu que a gestão de terras e gado em larga escala pedia uma dedicação que sua agenda artística já não permitia sustentar. A saída da pecuária tradicional marcou o fim de uma fase iniciada ainda quando o sucesso da Jovem Guarda garantia capital para investir no campo.
Olho ainda no agronegócio
Vender o rebanho e as áreas não apagou o interesse do artista pelo setor. Ele segue de olho no mercado rural e avalia outras formas de investimento que peçam menos rotina do que a criação de gado exigia.
Entre os planos estão projetos de reflorestamento e cultivo comercial de madeira, com destaque para o plantio de pínus, atividade que dispensa o acompanhamento diário característico da pecuária de corte.
A trajetória no campo soma-se a outra marca na carreira do artista: em 1996, ele formou dupla musical com Almir Sater na novela O Rei do Gado, papel que reforçou ainda mais sua ligação com o universo rural brasileiro.










